Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

ENCONTRO NACIONAL ESCOLAS MCC -21JANEIRO2012

Viagem pelos Rolhos do 3º Dia - à Luz do Carisma Fundacional

Bom dia a todos! queria começar por vos dar um abraço especial; a minha avó Lídia dizia-me “dá cá um chi-coração à avó!”; aceitem este chi-coração, este abraço do coração.
Se estiverem de acordo gostaria de vos propor uma pequena viagem, uma viagem pela nossa memória, que nos leva à história do nosso Cursilho, naquele momento em que “desponta a luz do novo dia”, o início do 3º dia; neste momento respiramos alegria, desbordamos de Graça e admiração, de todos por todos, aqui despontam sonhos e vontades de arrastar tudo à nossa volta, e dizer: vem comigo!

É aí e é “aqui” que estamos, não é um passo de mágica, é sim um maravilhoso dom de Deus a fluir em nós, podermos viajar pelos sonhos, estarmos “ali” e “aqui”.
Muitos desses sonhos se realizaram, outros ficaram por realizar; no entanto estão bem guardados no nosso coração. É aí que Deus guarda o melhor de cada um, é ai que Deus se guarda, é aí que Ele se recolhe.

Eduardo dizia “Amigo é aquele com quem se pode pensar em voz alta”
Aqui, como somos todos amigos, podemos “sonhar em voz alta”!
É partindo desses sonhos e com eles, que vos proponho, viajar pelos rolhos do 3º Dia, à luz do Carisma Fundacional.
E porquê o 3º dia?
É no terceiro dia que os Cursilhos se fazem “Movimento”, se fazem “Cristandade”!
Se nos perguntarmos se os Cursilhos vão bem?, se cumprem com a sua finalidade?, se respeitam a sua identidade?, se o Pós Cursilho funciona (se há Reunião de Grupo e Ultreia), se o Pré Cursilho vai ao encontro do Cursilho?, quase todos conhecemos as respostas.

Como dizia Eduardo “os Cursilhos são uma realidade ainda não realizada!”

A paixão pelos Cursilhos levou-me a dedicar o meu tempo ao estudo dos Cursilhos, em especial ao estudo do ”Carisma Fundacional”. Ao longo do tempo, apercebi-me de que para chegar a entender o Carisma Fundacional, também temos de entender os Rolhos e os seus conteúdos; é pelos Rolhos que chegamos à Essência, à Mentalidade e à Finalidade; é conhecendo os Rolhos, as suas, “sequências consequentes” que podemos entender, provar e saborear as suas verdades, é ai que tudo acontece, é partindo daí que tudo fica mais claro.

É no Carisma Fundacional que podemos e devemos encontrar as respostas para os nossos desencontros, do Pós, do Pré e do Cursilho.
O 3º Dia do Cursilho, à luz do Carisma Fundacional, tem sido o dia onde se notam mais desencontros, onde alguns Rolhos foram acrescidos, substituídos, retirados ou mesmo desmembrados.

História do Arqueólogo e os sedimentos.... a peça que falta... Fragmentos da História... não se consegue retirar dele toda a beleza...

Pois é, meus amigos, é aqui no 3º Dia, “que se faz Cursilhos”. É o dia da “projecção”, do “envio”. Todos os rolhos deste dia devem estar focados na nossa missão; o “porquê e para quê do Cursilho” tem de ficar bem claro, não podem ficar dúvidas. A nossa missão depende, em boa parte, de como nos apresentamos neste dia. Os rolhos e os testemunhos devem mostrar que, pela amizade, se torna real e possível, “o encontro connosco mesmos, o encontro com os outros, e o encontro com Cristo vivo, normal e amigo, que pela Graça habita em cada um de nós”.

É a nossa identidade, o nosso Carisma!
À luz do Carisma Fundacional, o 3º dia é composto por quatro rolhos leigos:
“Estudo do Ambiente”
“Cristandade em Acção”
“O Cursista mais Alem do Cursilho”
“Seguro Total”

Não vamos aqui fazer comparações. O que vos proponho é evidenciar esta sequencia consequente e possível, e com isso despertar apetites e gerar vontades de ir mais além, (fazer Ultreia).
Para muitos de vós não será novidade, mas mesmo assim pode valer a pena esta viagem.

Como diz o nosso amigo Fausto dos Açores, “o importante não é que pensem como eu mas sim que pensem com o Carisma Fundacional”

João Paulo II
“Mantenham-se fiéis ao carisma que vos fascinou e ele vos conduzirá mais fortemente a fazer-vos servidores da única potestade que é Cristo Senhor”

A nossa viagem começa pelo... “Estudo do Ambiente”
Quando tomei contacto com este rolho, despido de adereços, ali, nu e cru, como se tivesse acabado de nascer, tudo ficou claro; o “Estudo do Ambiente” e o “Carisma Fundacional” são uma fusão perfeita, partindo dele os outros rolhos, ganham sentido, diria mesmo, os Cursilhos encontram o seu sentido!
Se viajarmos um pouco mais na história, encontramos Eduardo Bonnín a cumprir o serviço militar, a viver aquela inquietação inquieta, momento inesquecível que ficou marcado com selo de Deus, ao viajar pelo rolho, deparamo-nos, com alguns termos militares, “Plano de Batalha”, “Frentes de Batalha”, “Vou de Reconhecimento” etc..., esta analogia verbal é curiosa, marca a sua autenticidade e sua originalidade, são elementos que se prologam pelo Cursilho, que nos ajudam e enriquecem o nosso imaginário.
“Parece que o estou a ver ali no quartel, na “parada dos gentios”, aquele rapaz franzino mas muito atento, atento às pessoas, atento a Deus, com aqueles olhos que olham por dentro, olhando para os camaradas, “olhando e vendo como o Senhor é bom”! Eduardo via mais além das circunstâncias de cada um, via-os pelo que valiam, valorizava as características que mais valiam, entendeu que se se relacionasse com cada um em particular, “pessoa a pessoa” podia chegar ali, ali onde os valores do Evangelho se fundem com os valores da pessoa.
Ao mesmo tempo estudava o ambiente que se gerava em cada constelação; entendeu que as
pessoas se movem por ambientes e por constelações, e é das relações pessoais que se gera ambiente”.

Mas vamos voltar “aqui”, ao rolho.
Como sabemos, é o primeiro rolho do 3º dia, depois da meditação, “Mensagem de Cristo ao Cursista” que desperta em nós uma inquietude de acção; estamos com a cabeça cheia de ideias luminosas, o coração a transbordar de vontade de ganhar o Mundo para Cristo; muitos se perguntam: “mas como e onde?”.
O objectivo do rolho é mostrar que aquela transformação que estamos a viver se pode prolongar para a vida, e isso não implica abandonar o ambiente donde vimos e para onde vamos, não é fugir do mundo, não é deixar tudo para viver em Cristo, é sim deixar Cristo viver em tudo!, é entrar pelo mundo, partindo de si mesmo, passando pelos outros para chegar ao ambiente, procurando chegar à pessoa, “entrando pela sua onda para sair pela onda de Cristo”.

Como fez S. Paulo, “fiz-me tudo para todos para ganhar alguns”.

O rolho é composto por três partes:

Definição de Ambiente.
Muito simples e sintética.
Importância de Ganhar o Ambiente.
Ganhar o nossos ambientes para Cristo, é colocar ao alcance de todos as ideias vividas e convividas no Cursilho.
Plano de Acção: em três frentes (de batalha):
Em primeiro lugar (Primeira frente) Nós Mesmos.
Para te encontrares contigo, conhece-te a ti mesmo, começa pela tua:
— Vontade,
— Oração,
— Inteligência
— e Coração.

Depois (Segunda Frente) os Outros, os que nos rodeiam.
Para te encontrares com os outros conhece-os, aprecia as suas qualidades, as suas particularidades e as suas diferenças, a ordem aqui é outra, começa pelo:
—Coração
—Inteligência
—Vontade
—o encontro com Cristo
Aqui na segunda frente é-nos proposto um “Voo de Reconhecimento”
Também aqui no Cursilho somos convidados a viajar pela nossa memória, pelos ambientes das nossas relações, imaginando com reage o João o António, ai, e o Manuel que bom seria para ele viver um Cursilho!
É um momento maravilhoso...
Aqui, no “voo de reconhecimento” reside uma das novidades do “Estudo do Ambiente”, é uma nova forma de caracterizar a pessoa na sua relação com Deus, evidenciando as características que valem e ironizando as que menos valem; a sabedoria e a ironia andam a par, é deste sentido de humor associado ao sentido de valor, que nos permite encontrar a melhor maneira de chegar à pessoa.

Crêem em Deus, amam a Deus e querem fazer o bem.
Denominador comum: Procuram ser simplesmente Católico.
Crêem em Deus, amam a Deus e querem estar bem.
Denominador comum: Católicos às vezes
Crêem em Deus, mas nada mais.
Denominador comum: Cristãos por descuido
Não crêem, porque ignoram a Deus.
Denominador comum: Não são Católicos, têm cuidado para não ser.
Não crêem, porque odeiam a Deus.
Denominador comum: Não-Católicos, de Cuidado (tem de se ter cuidado!)

Por fim (Terceira frente) o Ambiente.
É da relação inter-pessoal que se gera e se ganha ambiente.
O rolho dever ser “simples”, sem adereços; as ideias devem ficar bem claras, com testemunhos que revelem, que se acredita e que se vive estas verdades.
O conhecimento e o estudo deste rolho, é de uma importância enorme para o nosso movimento; é o primeiro rolho do Pré Cursilho, o voo de reconhecimento ajuda-nos a conhecermo-nos a nós mesmos e a conhecer os outros, para podermos actuar com “santa intenção”, de lhes mostrar que Deus os Ama. É o primeiro rolho do Pós Cursilho, mostra-nos e ajuda-nos a viver esta novidade de que Cristo vive em tudo e em todos. .... É o primeiro rolho dos Cursilhos, “é o que é antes de o ser”, faz parte da nossa identidade, do nosso ADN.

Eu continuava aqui, mas o é melhor prosseguir a nossa viagem....., vamos ver a consequência da aplicação deste estudo.

“Cristandade em Acção”
O rolho “Cristandade em Acção” é o 3º rolho do dia, o 1º da tarde; toda a euforia que se vive neste momento, é fruto da Graça, vivida na amizade; esta experiencia do Cursilho tem de continuar a dar frutos; este rolho é a consequência visível e encarnada do “Estudo do Ambiente”, é a reposta à pergunta “onde está a prática da nossa teoria”?

...Quando as pessoas que compreenderam o Cursilho e o valor da amizade, vão actualizando os três encontros (O encontro com si mesmo, com Cristo e com os outros) que iniciaram (no Cursilho) e se relacionam para compartilhar e orientar o seu viver cristão, gera-se um novo “Ambiente” que é “Cristandade”... Ramóm Armengol, II Conversações de Cala Figuera.

Este Rolho é um tesouro escondido, há que ter presente, (o Cursilho é obra Divina, está cá tudo, podemos tentar esconder, tapar com sedimentos, mas o Espírito Santo é como a água, encontra sempre o seu caminho).

O rolho é muito simples.
1) Introdução.
2) Definição de “Cristandade em Acção”

3) Como Actua a Cristandade
Cristandade em Acção é:
“Um núcleo de Cristãos em Graça, que convivem num clima que torna possível, que se viva e propague o Evangelho no mundo”

Depois da definição, explica “paço a paço”, para que tudo fique claro, o que é — “Núcleo de Cristão”, depois —“Em Graça”, —“Que Convivem”, — “Num Clima que torna Possível”, — “Que se viva o Evangelho”, — e “Que se Propague o Evangelho”.

Depois como actua a Cristandade.
Para receber/perceber este rolho talvez seja bom aplicar aqui um pensamento do Ramóm:
Por vezes, “Há que desaprender o aprendido para aprender!”
Todos nós aqui nos propomos dar vida ao Movimento dos “Cursilhos de Cristandade”; todos sabemos das dificuldades, parece-me claro, tentar fazer “Cursilhos de Cristandade” sem “Cristandade em Acção” é como tentar andar de bicicleta sem bicicleta.
O rolho vai-nos mostrando como é possível a realização de todos os sonhos de santidade que se despertam no Cursilho; vai mostrando que viver e encarnar o “Estudo do Ambiente” não é assim uma coisa abstracta desligada da vida.
Através dele vamo-nos introduzindo e familiarizando com o universo de verdades e realidades cristãs, vividas de forma triunfante e jubilosa; os milagres existem no século XXI!
A mensagem é muito clara; para ser eficaz o nosso esforço de espalhar a mensagem do Evangelho no mundo necessitamos do apoio dos outros, que se obtém do contacto contínuo com aqueles que vivem esta mesma “mentalidade”, através de “grupos de amizade”,— e aqui, damos inicio aos alicerces de uma base firme, que sustenta, a mensagem que vem lá mais à frente no Cursilho—... o “Seguro Total”. É a partir daqui que vamos criar fome e sede da “Reunião de Grupo” e da “Ultreia”.
O rolho é essencialmente testemunhal e vivencial, é uma prova viva de que pela Graça de Deus, e pelo “movimento contínuo” de uma “Cristandade em Acção” a vida de Cristo vivida e testemunhada no Evangelho funde-se com a nossa vida. “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos”!

Atrevia-me a dizer, salvaguardando as devidas diferenças, que é através da nossa vida vivida e testemunhada, que rasgamos o sulco da nossa história e acrescentamos vida aos “Actos dos Apóstolos”; é como se o livro se encontrasse aberto à nossa espera; é assim que Deus espera por nós!

Este rolho é o testemunho do “milagre feito vida” e “da vida feita de milagres”!
Podemos dizer aqui que este rolho é o Coração dos Cursilhos!
“Quando a Cristandade em Acção bate ao ritmo do coração, temos o Evangelho sempre á mão”!
Bom, temos de continuar a nossa viagem... Para viver e testemunhar esta “Cristandade
em Acção” é necessário ter em conta alguns pormenores e ultrapassar algumas
dificuldades; para isso vem...

“O Cursista Mais Além do Cursilho”
Sobre este rolho “Eduardo Bonnín dizia não entender o porquê de em alguns lugares o rolho ter sido descontinuado. Na sua opinião este rolho é vital para poder entender o rolho que se segue: “Seguro Total”. Contém muitos dos pontos que nos ajudam a entender o 4º Dia; a sua finalidade é apresentar a possibilidade de viver o Cursilho “perene”, o Cursilho na vida normal e quotidiana”.

É interessante, mais um rolho que anuncia a Reunião de Grupo e a Ultreia, sem as revelar, dizendo que no ultimo rolho irão ver tudo mais claro; temos a solução para todos as dúvidas, para todos os problemas; é mantê-los atentos e aumentar a sua curiosidade.
É o penúltimo rolho do Cursilho, antes do “Seguro Total”; resume e centra todo o Cursilho, ajuda a entender e a concretizar a mensagem de cada um dos rolhos, ajuda a unificar o espaço que existe desta experiência pessoal vivida no Cursilho (Encontro com si mesmo e com Cristo) e a dimensão social do Cursilho, (o encontro com os outros), que vem a ser a Reunião de Grupo e a Ultreia, e aponta o caminho a seguir no 4º Dia.
O ambiente revela muito entusiasmo, mas algum cansaço; estamos numa fase de transição, um misto de emoções, por um lado uma vontade enorme de ficar ali, por outro lado a ânsia de por em prática e testemunhar o que estamos a viver.
Este rolho é como que a fotografia de um Puzzle para nos orientar a colocar todas as peças do Cursilho.

É um rolho que se divide desta forma:
Introdução: Porque colocamos a nossa vontade, entrega e espírito de caridade. Foi derramado sobre nós a Graça de Deus, por isso estamos assim animados, convencidos e entusiasmados.
Viemos das daqueles rostos cinzentos do primeiro dia, para uns rostos De Colores!
Missão: Animar, Convencer e Entusiasmar
Responsabilidade/Possibilidade: Salvar os nossos irmãos.
“O mundo não se perde porque há muitos pagãos, mas porque há poucos cristãos que vivam e actuem como tal”.
Os Perigos: Convencido de Alguma Coisa, Convencido que nada Somos
A Solução: Contacto com Cristo, Contacto com os Outros
O que deve Ser o Cursista: Militante da causa de Cristo
O que Deve Ter o Cursista: Conceito Claro de IDEAL.

Aqui reforça-se a dimensão do verdadeiro Ideal.
O que deve Saber: Que nem todos servem para tudo, mas todos servem para algo.

“O Senhor não nos quer todos iguais, por isso não nos fez em série, mas sim a sério”!
Animar o Ambiente: Infundir alma, infundir vida.
Função Vital para animar: Piedade, Estudo e Acção
Cursilho Perene: Estas ideias vividas no Cursilho e levadas para a vida, dão Vida a Tudo e a Todos.
Temos um desafio, uma missão, temos dificuldades e temos muitas possibilidades!
É uma pena que este rolho tenha sido desmembrado.
Mas temos de continuar a nossa viagem... depois do Estudo, da aplicação do Estudo, depois de tomarmos contacto com a missão, para termos a garantia de que tudo é possível; vem o......

“Seguro Total”

Chegamos ao início do Cursilho; é o rolho que liga o Cursilho à vida; é através dele e com ele que o Cursilho se faz “vida vivida e comunicada”.

O “Seguro Total” não é só entender a “Reunião de Grupo” e a “Ultreia”; é tomarmos consciência de que Deus nos ama sem qualquer reserva, e que nada, mas mesmo nada...”nos pode separar do amor de Deus que está em Cristo Senhor”. (Rom. 8) O encontro desta amizade com os outros e com Cristo através da “Reunião de Grupo” e da Ultreia” é a descoberta da pedra preciosa, que nos vinha sendo anunciado desde o primeiro rolho do dia; é ele que nos ajuda a entender e a aplicar na vida, as realidades vividas e experimentadas nos três dias do Cursilho.

A “Reunião de Grupo” é a amizade elevada ao plano transcendente; é seguro e de uma eficácia enorme: num curto espaço de tempo garante e assegura-nos o processo de conversão; é pela amizade que cresce em nós a convicção de que é no amor de Deus que encontramos o “Seguro Total”.

“não se fazem reuniões de grupo para que haja pessoas para participar em Cursilhos, mas sim fazem-se Cursilhos para que haja reuniões de grupo”!

A importância da “Reunião de Grupo” é tal, que o encadeado e entrançado do 3º dia do Cursilho à luz do “Carisma Fundacional”, é todo ele dedicado, desde o primeiro rolho, a anunciar, testemunhar, aprofundar e a revelar tudo o que Deus realiza, através da Sua relação de amizade connosco. É na “Reunião de Grupo” que Deus se Partilha e se Compartilha; É Ele que Se dá e que Se recebe; o resultado é esta fusão de “eus” que se faz “nós”; é na “Reunião de Grupo” que se desfazem as diferenças, se aceitam as particularidades, e se renovam os sonhos de santidade.
É de tal forma importante, que a primeira “Reunião de Grupo” se realiza no próprio Cursilho, no decorrer do rolho; os cursistas são agrupados por afinidades e constelações que se geraram no Cursilho; são convidados alguns cursistas que vêm de fora partilhar esta “Reunião de Grupo”, o reitor e toda a equipa reitora participam nesta “Reunião de Grupo”; não é um simulacro, é mesmo uma “Reunião de Grupo” a sério, onde pomos em prática a “folha de serviços” e saboreamos, ali, num momento pleno de Graça, o sabor da “Reunião de Grupo”; é inesquecível!!!
É na Reunião de Grupo e na Ultreia que nos damos conta de que Cristo está vivo em tudo e em todos, nas coisas mais simples, normais e correntes das vidas que correm.
Vejam o que aconteceu com aqueles dois rapazes, assim como nós, ...Iam os dois à conversa a caminho de uma aldeia, aproxima-se, para eles, um forasteiro; caminha com eles, e pergunta do que é que estão a falar; estranham a pergunta, mas lá vão explicando os acontecimentos e a razão das suas desilusões; de seguida o forasteiro, como espírito amigo, apela à inteligência e à lentidão de espírito, começa por dar outro sentido aos acontecimentos, avivando as suas memórias, ressaltando da história o sentido de tudo o que estava a acontecer; ao chegarem à aldeia pedem-lhes: fica connosco! Ficou com eles. Sentado à mesa abençoou e dividiu o alimento que tinha, e desapareceu; os olhos deles abriram-se e disseram um para o outro, “não nos ardia o coração quando Ele falava das escrituras?”.

Esta é a primeira reunião de Grupo!
Imaginem hoje a nossa “Reunião de Grupo”: iniciamos com o sinal da Cruz e pedimos a vinda do Espírito Santo; de seguida repartimos os nossos caminhos, pelas aldeias, pelas cidades, com Jesus a nosso lado, e sem o vermos, para nós tantas vezes não passa de um estranho, outras vezes, a evidência é tão grande que tropeçamos Nele, outras é um dos amigos que nos mostra o outro lado, “vê bem, é Ele que estava contigo aí nesse momento”; e quando isto acontece, arde-nos o coração!

É este dividir normalidade para multiplicar santidade!

Continuando esta pequena história, os nossos amigos “Discípulos”, voltaram à Cidade, a Jerusalém. Encontraram reunidos os onze e os seus companheiros, e disseram-lhes: realmente o Senhor ressuscitou! E contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho, e como Jesus lhes dera a conhecer o partir do Pão.
Isto é Ultreia!
Tantas vezes na Ultreia nos dão a conhecer Jesus pelo partir, pelo partilhar de cada um; é a riqueza de Deus a fluir pelos corações daqueles que se cruzam com Ele e connosco, a chegar ao maior numero de pessoas possível.
“Partilhar e compartilhar “é dividir normalidade para multiplicar santidade”!

Sobre a Ultreia muito mais há para dizer, mas o tempo urge, e gostaria que ficássemos com esta ideia: as Ultreias vividas à Luz do Carisma Fundacional, fazendo jus à sua definição.
É a reunião de Reuniões de Grupo, a reunião de grupo está presente na Ultreia...

Estamos a completar a nossa viagem...

O Pe. Feitor Pinto há dias, num programa de Rádio, pediram-lhe que escolhesse um tema musical; como muitas outras vezes nos surpreendeu, escolheu o tema do Pedro Abrunhosa, “Vamos fazer o que ainda não foi feito”; aparentemente um tema pagão, mas cheio de sentido e actualidade; na vida, e aqui nos Cursilhos, estamos na altura certa para “fazer o que ainda não foi feito”; o resultado do que já foi feito é bem conhecido de todos nós, os resultados do Cursilho ficam aquém do que Deus pretende, Eduardo dizia que “os Cursilhos estão por estrear”! O desafio que Deus nos propõe hoje é ter coragem para “Fazer o que ainda não foi feito”!
E sejamos felizes, porque Deus nos ama!
De Colores!
Mário Bastos - NÚCLEO SUL

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