Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

ENCONTRO NACIONAL ESCOLAS MCC - 21JANEIRO2012

QUE ESCOLA NO M.C.C., HOJE?

“O M.C.C. nasceu no seio duma escola; e do esforço continuado e coordenado dos seus dirigentes, recebeu a forma e o impulso para o seu crescimento.”
“A Escola é, pois, anterior aos Cursilhos, pois que nas entranhas desta se geraram, nela se alimentaram e a partir dela perseveram e se difundem como movimento de Igreja. E sempre a Escola foi – e continua a ser hoje – peça essencial para a continuidade e o desenvolvimento da Obra.” (I.F. 530 e 531)
Efectivamente a Escola é uma estrutura do Movimento de muita importância, não fosse ela a base, o seio onde nasceu o próprio Movimento, como referimos.
O Movimento nasce da inquietação de um grupo de homens, Bonnin e os companheiros que, preocupados com o mundo que lhes era dado viver e apoiados em forte estudo, resolveram meter pés a caminho e fundaram o M.C.C. Um grupo que lê os livros de pensadores que, por verem mais longe que o comum das pessoas, ajudaram a equipa, sem o saberem, na formulação doutrinal e metodológica dos Cursilhos.
“Recordo que comprávamos todos o mesmo livro, e aos domingos, às sete da manhã íamos de bicicleta para os assentos públicos e espalhávamo-nos pelo bosque. Quando tínhamos lido vinte ou vinte e cinco páginas, reuníamo-nos para as comentarmos. Aquilo era um fervilhar de ideias!”
Relato de Bonnin no seu livro – Um Aprendiz de cristão.
Não sei se, hoje, o nosso desejo pelo saber, pelo conhecimento de Jesus Cristo é assim tão forte. Também não tenho conhecimentos para ousar fazer qualquer diagnóstico às nossas Escolas nas diversas dioceses.
Assim, vou limitar-me a reflectir convosco o que penso que deveria ser a nossa Escola, face aos desafios que a Igreja e o próprio Movimento nos tem colocado, com o propósito de provocar a discussão.
O V Encontro Mundial de Dirigentes do M.C.C., realizado em Seul, na Coreia, em Setembro de 1997, concluía que a Escola de Dirigentes não estava a atingir eficazmente a formação integral dos seus membros e propunha que a Escola fermentasse nos dirigentes:
• Uma atitude de humildade na relação com os outros
• Uma vida autêntica de oração e sacrifícios
• Uma exigência pessoal na linha da vivência Evangélica
• Uma formação integral, gradual e permanente com o fim de conseguirem uma consciência critica para o esclarecimento evangélico das realidades
• Entusiasmo e convicção na procura e vivência da santidade.
O 1.º Congresso Nacional do M.C.C., realizado aqui em Fátima, exactamente há 10 anos, nas suas conclusões, reconhecia:
“ … novos e permanentes desafios que se colocam à evangelização no mundo de hoje, salientando que o homem vive sujeito à crescente difusão do indiferentismo, secularismo, ateísmo, com inúmeras incertezas sociais e morais, que tendem a reduzir o seu espaço de fé a círculos intimistas”.
E propunha:
“Dar prioridade à Doutrina Social da Igreja, concretamente ao estudo do pensamento eclesial sobre a família, a escola, a saúde, a comunicação social e a cultura.”
A Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa sobre os 50 anos dos Cursilhos em Portugal, em determinado momento, acentuava:
“Vimos chamando a atenção, em comunhão com o Papa Bento XVI, para a urgência de uma iniciação ou reiniciação cristã alargada, e para uma catequese de adultos programada e séria: em suma, para uma nova evangelização de pessoas e meios de vida. Neste contexto e fiéis a este projecto apostólico, não podemos deixar de ter presente os movimentos laicais que, na Igreja, mais se dedicam à evangelização e, entre eles, o Movimento dos Cursilhos de Cristandade, com o lugar que lhe compete e a experiência evangelizadora de que dão testemunho ao longo dos 50 Anos.”
….
“Os tempos que vivemos exigem um novo vigor missionário dos cristãos chamados a formar um laicado maduro, identificado com a Igreja, solidário com a complexa transformação do mundo. Há necessidade de verdadeiras testemunhas de Cristo, sobretudo nos meios mais humanos onde o silêncio da fé é mais amplo e profundo.”
….
“Para além de uma renovação espiritual séria dos cristãos e, muito especialmente, dos agentes pastorais e apostólicos, um novo ardor e novas atitudes e competências são exigidas pelo mundo a evangelizar.”
….
“O Movimento dos Cursilhos de Cristandade deve, neste sentido e em consonância com os objectivos propostos, com o dinamismo destas comemorações jubilares, qualificar os seus dirigentes, o trabalho das Escolas de Responsáveis, a sua estrutura mais importante e decisiva. Daí a urgência em reavivar as Escolas e outros meios para que sejam espaço de formação actualizada e geradora de empenho missionário.”

Para além destes documentos poderíamos apresentar muitos outros, desde os proferidos pelos diversos papas em encontros com o M.C.C., a documentos do Grupo Europeu dos Cursilhos de Cristandade, onde todos têm uma única tónica – Formação em ordem à consciencialização para uma Nova Evangelização.

Para João Paulo II a Nova Evangelização é algo de dinâmico e é, antes de tudo, uma chamada à conversão, à esperança e a um novo Pentecostes.
Esta Nova Evangelização deve ser segundo o Papa: nova no seu ardor, nova nos seus métodos e na sua expressão.

Nova no seu ardor

Jesus Cristo chama-nos a renovar o nosso ardor apostólico, para o que nos envia o Seu Espírito que incendeia o coração da Igreja. Este ardor brota duma sintonia radical com Jesus Cristo, o primeiro evangelizador.
Assim, para o homem das bem-aventuranças supõe fé sólida, uma caridade intensa e uma fidelidade que, face à acção do Espírito Santo, gera uma mística, um entusiasmo incontornável na tarefa de anunciar o Evangelho e capaz de despertar credibilidade para acolher a Boa Nova da Salvação.
Este é o ardor que devem ter os nossos dirigentes de Escola.
Necessitamos de dirigentes santos, que vivam as bem-aventuranças.
Isto implica rever a conversão dos nossos dirigentes que, muitas vezes, converteram-se a Cristo mas continuam a servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro, procurando os primeiros lugares como os fariseus, e são mau testemunho nos seus ambientes.

Nova nos seus métodos

Novas situações exigem novos caminhos para a Evangelização.
O testemunho e o encontro pessoal, a presença do cristão em todo o humano, assim como a confiança no anúncio salvador de Jesus e na actividade do Espírito Santo, não podem faltar.
Temos de usar, sob a acção do Espírito Santo criador, a imaginação e a criatividade para que, de maneira pedagógica e convincente, o Evangelho chegue a todos. A Escola também aqui deve ser resposta.
Quem está em relação com o mundo tem de ser uma pessoa criativa.
Já que vivemos uma cultura da imagem, devemos ser audazes para utilizar os meios que a técnica e a ciência nos proporcionam, sem, no entanto, depositarmos neles toda a nossa confiança. Por outro lado é necessário utilizar os meios que façam chegar o Evangelho ao centro da pessoa e da sociedade, às próprias raízes da cultura e não, de uma maneira decorativa, como um verniz superficial.
Embora se tenha chegado ao centro da pessoa, talvez não se tenha conseguido obter a conversão integral e verdadeira, pois, muitas vezes, vemos que o dirigente falhou. Por outro lado, a finalidade última do M.C.C., que é a fermentação cristã dos ambientes, também falhou.
É missão da Escola proporcionar este estudo mais aprofundado de Jesus Cristo e da Sua Igreja.
O Movimento põe mais ênfase nos 3 dias do Cursilho ao qual dedica um bom tempo de preparação e acentua mais a necessidade de conversão e esquece a obrigação que tem de proporcionar uma catequese continuada em ordem à transformação dos ambientes pagãos em ambientes cristãos.
Esta é uma realidade que devemos assumir com humildade.
A Escola de Dirigentes deve proporcionar uma conversão integral num Pós-Cursilho mais sério e profundo, transmitindo o pensamento social da Igreja e ajudando em tudo o que for preciso para que sejam capazes de planificar a estratégia de actuação e transformação do ambiente.
Assim entendemos, para que o Movimento consiga ser resposta, hoje, aos novos desafios que o mundo nos apresenta.

Nova na sua expressão

Jesus Cristo pede-nos para proclamarmos a Boa Nova com uma linguagem que torne o Evangelho de sempre mais próximo das realidades culturais de hoje.
Na inesgotável riqueza de Cristo, devemos procurar as novas expressões que permitam evangelizar os ambientes marcados pela cultura urbana e inculturar o Evangelho nas novas formas que a cultura vai assumindo.
A nova Evangelização tem de se adaptar mais ao modo de ser e de viver das nossas culturas, tendo em conta as suas particularidades.
O M. C. C. por ser um Movimento de Igreja tem de responder a partir da sua identidade a esta exigência de inculturação do Evangelho.
Tendo em conta que o M.C.C. procura a renovação cristã da nossa sociedade, o seu papel no processo de inculturação deve ser, continuar a trabalhar prioritariamente para conseguir esta transformação.
O M.C.C. tem de ter na sua Escola uma estrutura que seja expressão nova, actualizada e incarnada dentro dos ambientes sociais.
Deve ser uma Escola que desperte inquietação e compromisso em cada dirigente que participe nela.
Jesus dá-nos a garantia que está connosco (Lc. 10,16)
“Quem vos ouve é a mim que ouve, e quem vos rejeita é a Mim que rejeita; mas quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou”
Esta é a garantia que o Senhor está sempre connosco.

Este desafio de Nova Evangelização não pode ser lançado genericamente sem ter destinatários concretos.
Cabe a nós, Movimento dos Cursilhos, assumi-lo com coragem e humildade.
Temos de reconhecer que a maioria dos adultos precisa, hoje, duma nova catequese, pois muitos dos nossos adultos, mesmo os que viveram um cursilho de cristandade, não têm formação cristã minimamente estruturada.
Mesmo entre nós cursilhistas, não existem pessoas de convicções fundadas que lhes permitam viver uma síntese do cristianismo e uma atitude crítica libertadora frente à sociedade em que vivem.
O desafio para a Escola dos Cursilhos talvez seja o de melhorar a sua resposta como movimento de evangelização de adultos.
O movimento é um primeiro anúncio “que suscita a conversão” mas carece de ser seguido por algo mais, com duplo objectivo de fazer amadurecer a fé inicial e de educar o verdadeiro discípulo de Cristo, mediante um conhecimento mais profundo e mais sistemático da pessoa e da mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo (Cat. Tradendae 28).
De facto, face à recomendação dos textos do Magistério da Igreja sobre a Evangelização, o primeiro anúncio que para nós é a vivência do Cursilho, deve ser seguido na Escola por um tempo de catequese formal, em que os conteúdos essenciais do Mistério sejam apreendidos.

“O amor e a paixão por Jesus Cristo tem exigências, porque Jesus Cristo não é uma pessoa que possamos imaginar”.
Ele viveu na nossa terra, num determinado tempo e determinado espaço. E está ao nosso alcance pela leitura do Evangelho. Nós temos necessidade, todos nós, de O conhecer, de voltarmos à sua verdade.
Temos necessidade de O redescobrir no seu perfil humano, porque foi na sua humanidade, na maneira como viveu a sua relação com o Pai, a sua relação com o mundo e com os outros, com o cosmos, que apaixonou os homens do seu tempo.
Foi aqui que Ele fez que gente do seu tempo abandonasse a sua vida ordinária, abandonasse a sua casa e fosse atrás de si.
Foi nessa humanidade que Ele veio a revelar a sua divindade.
Temos, assim, necessidade de nos encontrarmos com este Senhor Jesus e de nos encontrarmos agora com o mistério fundamental da Sua vida, com a hora suprema da Sua vida, que foi a morte.
Nós já sabemos da nossa fé. Aquele Jesus que chorou, aquele Jesus que se compadeceu, aquele Jesus que atendeu às dificuldades das pessoas que passavam por Ele, aquele Jesus que falou, esse Jesus é Deus.
O que Ele disse não foi dito por uma pessoa qualquer, foi dito pelo próprio Deus.
Nós já sabemos e acreditamos nisto, o que nos facilita para entendermos até onde foi e porque é que falou.
Mas esses conhecimentos que temos de Jesus não chegam: precisamos de conhecer muito mais este Jesus Homem, para n’Ele descobrirmos a misericórdia, o perdão e o amor. É isto que apaixona.
Este Jesus não se pode inventar para que esteja de acordo com o nosso pensamento e a nossa vontade. Jesus é tremendamente cáustico, tremendamente exigente. Logo, temos necessidade de voltarmos a conhecer este Jesus, voltarmos sempre, porque senão não conhecemos nada.

A Escola deve proporcionar-nos um melhor conhecimento de Jesus e este deve desenvolver-se através duma:
• Formação espiritual – de modo a crescermos aos olhos de Deus.
• Formação doutrinal – de modo a obtermos respostas para a nossa fé, fundamento da nossa esperança.
• Formação humana – para que os nossos valores humanos sejam humanizados e desenvolvidos
• Formação social – porque somos elementos de uma sociedade na qual vivemos, da qual recebemos e da qual devemos.

A título de exemplo e por curiosidade, refiro a temática que a Escola da Diocese do Porto seguiu nos últimos quatro anos:
• “A Europa de Bento na crise de culturas”, de Joseph Ratzinger
• “Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Cristo, as origens da Igreja”, de Bento XVI.
• O estudo pormenorizado do Credo através do livro “Esta é a Nossa Fé”, de Dionigi Tettamanzi, Cardeal de Milão.
• Este ano estamos a estudar o livro “A Família: O Trabalho e a Festa” – Catequeses preparatórias para o VII Encontro Mundial das Famílias, a realizar, este ano, em Milão.

Deus quer que sejamos santos, perfeitos e este é o grande desafio que é colocado à Escola.
A Formação é uma exigência fundamental para que num desejo sincero de nos aperfeiçoarmos, possamos ajudar os outros a serem melhores.
Quando temos a consciência de que somos ignorantes, então talvez, estejamos perto da sabedoria.
Deus não pode abençoar a ignorância contra a qual nada fazemos para a ultrapassar.
A Formação leva-nos a uma consciência maior de nos conhecermos e de conhecer Aquele para nos deixarmos apaixonar por Ele.
A Escola, a formação é tão necessária, porque aqueles que não conhecem a Deus têm o direito de lerem o Evangelho nas nossas vidas.
Formação que deverá ser, não só para se saber mais, mas sim, para nos levar a uma mudança de mentalidade, a uma maneira nova de pensar e agir.
O primeiro rolho do Estudo centrava-se neste simples esquema:
“Conheça-te a Ti, Senhor, e me conheça a mim.”
Conhecer mais Deus, sim, mas para amá-Lo mais e servi-Lo melhor.
Conhecermo-nos melhor a nós mesmos, mas para confrontar o tu – desejo do Pai – com o tu, desejo próprio teu.

Por tudo que foi dito, é evidente que há necessidade de um maior e melhor conhecimento do plano de Deus e das suas repercussões na vida do dia a dia já que os conhecimentos religiosos da maioria das pessoas são parcos: daí a necessidade da formação constante de uma consciência que supere a fase da ignorância primitiva da infância.
É-nos pedida uma consciência crítica - consciência crítica que é o oposto de consciência ingénua. Esta não filtra as informações; não lida com critérios próprios; aceita com tranquilidade, sem análise, todas as informações recebidas.
A consciência crítica tem critérios próprios; filtra as informações através desses critérios e, portanto, impele a uma prática de vida coerente.
A pessoa não se deixa manipular; é imune a manobras de massificação; critica as imposições e assume atitudes concretas de acordo com os valores aceites conscientemente.
Consciência crítica cristã – sabe discernir a realidade, os acontecimentos, as situações da vida do mundo à luz e critérios do Reino de Deus, dos seus valores e da sua prática.
Entre os vários valores culturais, descobre os que, de verdade, expressam o projecto de Deus.
O M.C.C. deve proporcionar-nos adquirir esta consciência crítica através da Escola.

Bonnin disse:
“Os Cursilhos de Cristandade não foram pensados, estruturados e rezados para evangelizar o mundo, mas o homem”

“Os desafios que o mundo apresenta ao homem de hoje têm a mesma raiz de sempre: a ausência de Deus na inteligência e no coração dos homens.
Por isso a solução é sempre a mesma: a solução de Cristo e da Sua Graça que é a única forma de dar sentido à vida.”

“O cerne da questão está em que, e entendemo-lo uma vez por todas, que nos demos conta, não os outros, mas nós, que por mais que o mundo mude, o homem é sempre ele mesmo e a solução sempre a mesma.
O que unicamente podemos contagiar é a fé que temos em Cristo que nos ama. Se não a tivermos não podemos fermentar nada: nem atitudes, nem ambientes, nem estruturas. Em vez de fermentar, fermentaremos como quase sempre … e continuaremos a criticar indefinidamente os que chamamos maus, inventariando as suas maldades e lamentando-nos de como o mundo está.” Palavras de Bonnin.
Efectivamente a questão é o homem, é cada um de nós.
Ele, homem, tem de se sentir amado por Jesus Cristo e tem de se deixar amar por Jesus Cristo.
Sentindo-se amado, sente necessidade de retribuir esse mesmo amor e então, naturalmente, com ardor, com fé, torna-O presente no mundo.
Bonnin dizia a determinado momento que: “o nosso Movimento precisa mais de pessoas que saibam crer, pois já temos muitos que crêem saber”.
Temos de ser realistas e reconhecer com verdade que o Cursilho, três dias de vivência íntima com Cristo, não passa de um despertar, de um espevitar para um desejo de mais e o Movimento tem o dever e a obrigação de o satisfazer, de o proporcionar.
Aqui aparece a Escola como meio de nos proporcionar uma catequese continuada para melhor conhecimento da Igreja e de Deus, para O melhor amar; de me formar com uma nova mentalidade, com uma consciência crítica cristã para melhor praticar; de me proporcionar meios para melhor ser para melhor estar e melhor fazer.
A minha acção deverá estar na razão directa do meu saber e será consequência da minha formação, do meu crer, da minha fé que sustentará a minha esperança, mesmo em ambientes hostis ou em momentos difíceis como os que vivemos presentemente.
Todo o cursilhista necessita de catequese, de uma formação permanente para colocar em prática a finalidade do Movimento – fermentação cristã dos ambientes.
E isto porque, a Escola deve dar:
• Solidez à nossa fé: pelo estudo do conhecimento; pelo conhecimento do amor – ou vice-versa – pelo amor à fé, e pela fé à vida.
• Forma à nossa vida, confrontando-a à imagem de Cristo, que também é vida, e vivendo-a à luz de um cristianismo concebido como vida.

Em conclusão, a Escola deverá assumir dois grandes objectivos:

1. A formação integral de dirigentes proporcionando-lhes o conhecimento pormenorizado do Movimento, sua história, Mentalidade, Essência e Finalidade.
Estes serão indispensáveis para integrarem as diferentes estruturas do Movimento no 4.º dia e serão a garantia da continuidade do próprio Movimento.

2. O outro objectivo é oferecer a cada cursilhista uma catequese de adultos, que dê continuidade ao desafio que lançamos no Cursilho.
Uma catequese que forme consciências, que proporcione um melhor conhecimento de Jesus Cristo para melhor o amarmos e melhor o testemunhar.
A Formação significa, antes de mais, ganharmos a forma de Cristo pela Graça de Deus.
Enquanto não conseguirmos fazer a viagem da cabeça ao coração não temos formação, como dizia o meu Bispo, D. Manuel Clemente.
Cristão é ser completamente absorvido por tudo o que Cristo é e nos oferece. Ser formado é deixar que Cristo cresça em nós.
A Formação Cristã é um trabalho eterno, porque o Evangelho é sempre novo, é sempre novidade.
Se estamos aqui, hoje, é porque um dia provamos a novidade de Jesus Cristo no nosso Cursilho.
Mas a Escola tem obrigação de dar-nos a possibilidade a continuarmos a conversa que não mais acaba, porque: “Só Tu tens palavras de vida eterna”.
Naturalmente que o M.C.C. como Movimento diocesano que é, deverá também, em cada ano, assumir e dar resposta ao programa pastoral do Bispo diocesano.

A evolução do homem deu-se à medida que o cérebro se foi desenvolvendo e as necessidades básicas desafiavam a mente a encontrar novas soluções. Evoluímos como resultado da nossa própria curiosidade acerca do universo.
Também a Revelação de Deus se foi desenvolvendo à medida que o ser humano podia compreender as intenções divinas.
E ao chegar a plenitude dos tempos, veio Cristo para renovar todas as coisas com a Nova e Eterna Aliança.
Apesar de Jesus ser a Verdade, ainda procuramos aprofundá-la.
Continuamos a evoluir em direcção à Verdade Total e a Escola deve-nos dar essa possibilidade.
A conversão de cada pessoa acompanha o arco da vida, até que se possa consumar junto de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Esta era também a opinião de Eduardo Bonnin, “porque se alguém pensar que já está totalmente convertido, então atinge a quietude, que provoca conformismo e isto não é cristão, pois a Igreja é sempre jovem e dinâmica.” (cf. Um aprendiz de cristão, pág. 147)

Estudamos para dizer à humanidade quem é Jesus Cristo, corrigindo-a dos falsos conceitos e das ideias distorcidas, que não ajudam a chegar até Deus.
Mas primeiro temos nós que saber responder a esta pergunta que nos está colocada por Jesus Cristo e sempre à espera de melhor resposta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?
Joaquim Andrade - Núcleo Norte

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