Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

ENCONTRO NACIONAL ESCOLAS MCC -21JANEIRO2012

"Como mostrar aos jovens, que o Amor de Cristo é importante nos dias de hoje"

A juventude “não é a geração rasca ou do vazio, mas a
indignada perante uma sociedade sem valores”, palavras do bispo de Beja, D. António Vitalino, na primeira nota
semanal de 2012, enviada à Agência ECCLESIA.
É convicção de todos, que o cristianismo inspirou ao longo dos anos e carateriza atualmente a nossa cultura, ao estar associado à forma como encaramos o mundo e a vida, à forma como nos relacionamos uns com os outros, à forma como estabelecemos laços e os rompemos.
É por isso necessário, propor às novas gerações uma educação cristã esclarecida e clara,mostrando como somos e como queremos ser, realista mas com projeto, sem fingimento
mas com confiança, com alegria e com esforço.
Não temos dúvidas sobre a importância da mensagem cristã para a vida do ser humano.
As dúvidas surgem sim, relativamente à maneira como é transmitida e traduzida essamensagem, numa linguagem adequada e ajustada a cada tempo.
Para falarmos aos jovens hoje da importância do amor de Cristo, temos que perceber primeiro, que não o podemos fazer resumindo a importância da relação com Deus a uma prática cristã centralizada na celebração litúrgica. O cristianismo não pode ser reduzido a uma questão de culto assente na prática de ritos, por mais importantes que estes sejam,
da mesma forma que a educação cristã não pode limitar-se a ser uma formação direcionada para o interior da comunidade cristã.
Juan Francisco Ambrósio, professor da Faculdade de Teologia da UCP, refere que O antigo já não serve cabalmente para cumprir a sua missão, pelo que achar que a solução se encontra num voltar atrás, àqueles tempos onde tudo parecia mais claro,não parece ser a mais acertada. Contudo, também não parece acertada uma total rutura com o caminho já feito. Porque estamos em fase de construção de um novo paradigma
temos a oportunidade e o dever de ser protagonistas na sua construção. Certamente que haverá riscos, de certeza que vamos cometer erros, mas o maior risco e o maior erro
será não fazer nada e manter tudo na mesma.
Quando falamos do comportamento dos jovens perante a igreja, e porque temos sempre tendência para generalizar, o discurso é sempre o mesmo:
Os jovens não vão à igreja! Os jovens estão perdidos! Não há vocações! A Igreja é para os velhos e conservadores! Os jovens…! Os jovens…! Os jovens…!
Criticamos, lamentamos, mas não trabalhamos para encontrar soluções!
Temos que perceber que hoje, os jovens são intensos, são tecnológicos, são “computorizados”, mas ainda assim, continuam à procura de experiências verdadeiras e profundas, como procuravam os jovens do passado e como irão procurar os jovens do futuro. Só que cada tempo tem a sua maneira de fazer essa procura, pelo que a respostadeve também ser ajustada a cada tempo.

Cristo de ontem é o mesmo Cristo de hoje. A sua mensagem é intemporal, muito
embora tenha que ser vivida e ajustada de geração em geração, consoante as realidades e as necessidades, consoante as diferentes culturas e a diversidade de vivências.
Todos os dias ouvimos dizer nas nossas comunidades estas e tantas outras coisas que nos fazem perguntar: Porque é que os jovens já não se interessam pela Igreja?
Por outro lado, haverá quem pergunte: “Será que estes Jovens interessam à Igreja?” Ou por outro lado: “Será que esta Igreja interessa aos jovens?” Ou ainda “Será que a Igreja
de hoje está preparada para aceitar estes jovens? Os jovens como eles são, e não como gostaríamos que eles fossem?”
Mas será que nós, Igreja, temos feito o esforço suficiente para falar a linguagem dos mais novos? Será que estamos dispostos a acolher os novos desafios e que muitas vezes
põem em causa a nossa maneira de estar e pensar? Os jovens não são os mesmos de há
40, 30 ou mesmo 10 anos atrás. E os seus problemas e sonhos também não. O mundo é outro e isso não pode ser esquecido ou ignorado!
Por exemplo em Portugal, nós Igreja, olhamos muitas vezes com desconfiança fenómenos como os “Morangos com Açúcar”, o “iPod”, o “Massenger”, o”Facebook”, …
Mas serão estas realidades simplesmente perigosas, ou antes possibilidades que poderiam fazer chegar aos jovens o Evangelho? Será que Jesus não olharia todos estes meios como uma imensa possibilidade de fazer chegar a sua mensagem de Amor aos jovens que tanto precisam de a sentir?
Há dias, através de uma notícia da Agência Ecclesia que
recebo através do meu mail, tive conhecimento da existência de um site www.cristojovem.com, que me despertou a
curiosidade.
Este site que nasceu em 2006, sob a responsabilidade da Associação Cristo Jovem, define-se como um espaço on-line que pretende reunir num único local, vários assuntos de interesse para os jovens e para aqueles que com eles trabalham (educadores, pais, catequistas).
É um site de jovens e para jovens que faz de Cristo Jovem, um ponto de partilha de ideias, conhecimento e opiniões, para que em conjunto cresçam na mesma fé.
Ao consultá-lo fiquei fascinada com a quantidade e atualidade de informação ali concentrada de e para jovens, incluindo nos seus recursos de consulta, a Bíblia on-line.
Não será esta uma das variadas formas que temos hoje para difundir a mensagem de Cristo, ajudando os jovens a senti-la e a interiorizá-la, independentemente do lugar onde estiverem, na intimidade do seu quarto ou entre amigos, nos seus momentos de recolhimento ou em família?
Interrogamo-nos por muitos jovens viverem longe de Deus e da Igreja ... quando alguém nos apresenta um amigo, nós ficamos com a ideia de como ele é, mas só depois de conversarmos e convivermos é que acabamos por o conhecer e até mudamos a primeira opinião que nos causou ... muitos jovens ouviram dizer "Deus criou tudo e está no céu", e para quem no céu apenas vê estrelas, sol e lua, fica com a ideia de que Deus está muito longe ... são poucos os que um dia, pensando no sol, lua e estrelas, respiram bem fundo e...sentem o "clique"... afinal… o céu começa dentro de mim! Abrem-se-nos os olhos, começamos a ver o que não víamos, um Deus muito próximo, que dá vida, que transforma.
Muitas vezes não são necessárias palavras, muitas vezes basta apenas estarmos atentos ao silêncio que se faz sentir na vivência diária de muitos jovens.
Palavras ditas com voz forte fazem-se ouvir, impressionam. Mas sabemos bem que elas quase não tocam os corações. Em lugar de acolhimento, elas encontram resistência.
A experiência de Elias mostra que Deus não quer impressionar, mas ser compreendido e acolhido. Deus escolheu «o murmúrio de uma brisa suave» para falar. É um paradoxo: Deus é silencioso e no entanto fala

Quando a palavra de Deus se faz «o murmúrio de uma brisa suave», ela é mais eficazdo que nunca para transformar os corações.
A tempestade do monte Sinai abria fendas nos rochedos, mas a palavra silenciosa de Deus é capaz de quebrar os corações de pedra. Para o próprio Elias, o silêncio súbito era provavelmente mais temível do que a tempestade e o trovão. As poderosas manifestações de Deus eram-lhe, em certo sentido, familiares.
No silêncio, a palavra de Deus pode atingir os recantos escondidos dos nossos corações.
No silêncio, ela revela-se «mais penetrante do que uma espada de dois gumes, penetra até à divisão da alma e do corpo» (Hebreus 4,12). Fazendo silêncio, deixamos de esconder-nos diante de Deus, e a luz de Cristo pode atingir, curar e mesmo transformar aquilo de que temos vergonha.
Silenciosos e pobres, os nossos corações são conquistados pelo Espírito Santo, cheios de um amor incondicional. De forma humilde mas certa, o silêncio leva a amar.
Nós fieis ao MCC, que tivemos a Graça de viver um cursilho de cristandade, e de aprender a abrir o nosso coração a Cristo, no silêncio do Sacrário, temos que estar abertos a encontrar novas formas de levar o jovem a experienciar essa vivência, sabendo que é nesse silêncio que ele melhor percebe a presença de Cristo e a importância e atualidade da sua palavra. Assim saibamos nós transmiti-la.
Lutero dizia que: “Quanto menos palavras tiver a oração, tanto mais rapidamente chegará a Deus.”
A adolescência e a juventude são a melhor altura para desenvolver uma relação com Deus.
É nessa fase em que o adolescente se depara com momentos os quais só ele conhece, em que muitas vezes se sente vazio e triste, como se nada mais valesse a pena, que a nossa
palavra, que a nossa ajuda, que o nosso testemunho de vivência do amor de Cristo, é seguramente determinante.
A adolescência é como uma escola, onde aprendemos o que é bom e o que é mau e nos preparamos para a vida adulta, onde se percorrem caminhos que não levam a lado nenhum, labirintos de onde é difícil sair, até ao dia em que se parece reconhecer uma estrada.
É por isso importante que saibamos, nesta fase da vida em que somos parte activa nessa preparação, mostrar essa estrada, dando a mão e ajudando a fazer esse caminho,
mostrando a cada passo, a importância do jovem contar sempre, nessa caminhada, com o apoio do amor de Cristo.
Tal como quando se aprendeu a andar de bicicleta e se percebeu que é no andamento que nos vamos equilibrando, é na dinâmica do desequilíbrio que se encontra o equilíbrio.
A arte está em ir equilibrando a bicicleta sem cair, mesmo em descidas abruptas ou curvas apertadas.
Se nessa estrada e nesse caminho a percorrer com mais ou menos equilíbrio, o jovem souber que tem a seu lado um Amigo, pronto para o levantar nas quedas, que o ouve no
silêncio, que lhe abre os braços e lhe diz: «Eu estou aqui para ti, com o meu amor incondicional», então percorrerá esse caminho sem medo do que pode encontrar, sem medo de cair.
Cabe-nos a nós, com a nossa experiência de vida, com a mais valia de todo um percurso já feito como cristãos convictos, mostrar aos jovens o rosto daquele que os amará incondicionalmente, que melhor do que qualquer pai ou mãe, saberá compreendê-los e sobretudo aceitá-los comos eles são, com todas as suas caracteristicas boas e menos boas, capaz de acompanhar o seu crescimento, a sua evolução, capaz de entender as suas necessidades e os seus anseios, capaz de se fazer ouvir no silêncio do coração de cada um, sem questionar e principalmente, sem julgar, repreender ou castigar.

Os jovens, dizia o Papa João Paulo II, “são os primeiros protagonistas do terceiro milénio [...] são vocês que vão traçar os rumos desta nova etapa da humanidade”… Os jovens são o futuro! A Igreja já mergulhou no terceiro milénio, e Jesus continuará a estar presente no mundo pelos jovens de hoje e do futuro. Por isso, devemos acreditar que é preciso aprender, construir e viver com eles e não desacreditá-los, esquecê-los ou negar a sua realidade!
Também o Papa Bento XVI tem manifestado o desejo de confiar aos jovens o futuro da Igreja e do mundo. Em 2007 aquando da visita ao Brasil afirmou: «Vós, jovens, não sois apenas o futuro da Igreja e da humanidade, como uma espécie de fuga do presente.
Pelo contrário: vós sois o presente jovem da Igreja e da humanidade. Sois seu rosto
jovem. A Igreja precisa de vós, como jovens, para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem a Igreja apresentar-seia
desfigurada.”
O mundo tem hoje uma grande necessidade do testemunho daqueles que, iluminados pela Palavra do Senhor, conseguem abrir o coração e a mente de muitos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, aquela que não tem fim. Quem melhor do que nós,cursilhistas, pode dar esse testemunho?
Os jovens são a pedra fundamental para a construção da paz no mundo. Bento XVI na mensagem que assinala o Dia Mundial da Paz vivido a 1 de Janeiro direcciona-a para a
necessidade de «Educar os jovens para a justiça e a paz», convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo.
Adianta ainda a necessidade de se «prestar atenção ao mundo juvenil, saber escutá-lo e valorizá-lo para a construção dum futuro de justiça e de paz não é só uma oportunidade mas um dever primário de toda a sociedade.»
Refere ainda que «A educação é a aventura mais fascinante e difícil da vida. Educar significa conduzir para fora de si mesmo ao encontro da realidade, rumo a uma plenitude que faz crescer a pessoa. Mas, são necessárias testemunhas autênticas.
A testemunha é alguém que vive, primeiro, o caminho que propõe.»
Se todos entendemos a importância dos jovens para o futuro da Igreja e da Paz no mundo;
Se nós cursilhistas com uma importante missão de evangelização, que estamos hoje aqui também a “Repensar O MCC” e o futuro do MCC, estamos conscientes da necessidade
urgente de Repensar a Igreja;
Então, porque continuamos a não ver nos jovens aliados para a construção dessa paz,preferindo continuar a vê-los mais como «concorrentes» ao lugar de protagonistas que alcançámos nas nossas comunidades, no seio das nossas paróquias, dos nossos grupos e ultreias, lugar que não queremos ceder àqueles nas mãos dos quais está o futuro, teimando ainda assim a continuar a ver como irreverentes, irresponsáveis, e desprovidos de valores?
Para se conseguir abrir o coração e a mente dos jovens ao desejo de conhecer Deus, é necessário primeiro aceitar a nova linguagem dos tempos, aceitar as novas realidades
tecnológicas, aceitar enfim, os jovens como eles são, diferentes dos de há 10, 20 ou 30 anos, como também nós vivemos uma diferente adolescência e juventude em relação
aos nossos pais, falamos outra linguagem, temos outra abertura ao mundo e ao conhecimento.
Para isso é fundamental, reconhecer o seu real valor, reconhecer os seus dons,reconhecer as suas capacidades de amar o próximo, ainda que muitas vezes o demonstrem de uma forma que não saibamos entender.
Foi recentemente editado um livro, penso que ainda não traduzido para Português e com o título «You Lost Me: Why Young Christians are Leaving the Church... and Rethinking
Faith » - “Porque os jovens cristãos estão a abandonar a Igreja…e a repensar a fé”, em que os autores (David Kinnaman e Aly Hawkins ) dão a conhecer o resultado da análise de uma vasta pesquisa estatística, no sentido de tentar perceber quais as razões que levam os jovens a afastarem-se da Igreja, e cujas conclusões são bastante pertinentes:
- Concluem que não é verdade que os adolescentes de hoje sejam menos ativos na Igreja do que os de épocas anteriores;
- Concluem que o principal problema está na relação do jovem com a Igreja.
Não necessariamente que os jovens não tenham fé em Cristo; o que eles abandonam é a participação institucional, não se revendo na postura da igreja hoje enquanto instituição
e na forma como não soube acompanhar o facto de que nenhuma outra geração de cristãos, sofreu transformações culturais tão profundas e rápidas;
- Concluem que nas últimas décadas houve grandes mudanças nos mídia, na tecnologia, na sexualidade e na economia. O surgimento do mundo digital revolucionou a forma como os jovens se comunicam entre si e obtêm informações, o que gerou mudanças significativas na forma de se relacionarem, trabalharem e pensarem;
- Concluem que há contudo nisso um lado positivo, porque a internet e as ferramentas digitais abriram imensas oportunidades para difundir a mensagem cristã.
Observaram ainda os autores que muitos adolescentes e jovens adultos sofrem de isolamento dentro das suas próprias famílias, comunidades e instituições. O elevado
índice de separações, divórcios e nascimentos fora do casamento significa que um número cada vez maior de pessoas, cresce em contextos não-tradicionais, ou seja, onde a estrutura familiar é carente.
A Igreja hoje não está preparada para aceitar e consequentemente lidar com estas realidades dos jovens, mostrando-lhes os caminhos do Senhor como a alternativa, por
isso concluiu também este estudo que em muitos casos, as igrejas não conseguem educar os jovens em profundidade suficiente, sendo que uma fé superficial deixa os jovens com uma desconexão entre a fé e a vida diária. Como resultado, muitos jovens consideram o cristianismo chato e irrelevante.
Os caminhos de fé das novas gerações, estarão inerentes a uma grande mudança na igreja de hoje, mas podem também ser uma fonte de esperança para as futuras comunidades cristãs .
É necessária, uma mudança na maneira como as gerações mais velhas encaram as gerações mais jovens.
Um em cada seis jovens Cristãos afirmam que ao cometerem determinados erros,sentiram da parte da Igreja apenas julgamento, sendo que 40% dos jovens entre os 18 e os 29 anos acreditam que a doutrina da Igreja relativamente a temas como a sexualidade e o controle de natalidade, está desatualizada. Por isso a pesquisa revela que grande parte dos jovens vê a Igreja como um lugar pouco amigável e cheio de julgamento.
Lembrando de novo palavras de D. António Vitalino, Bispo de Beja, «As atitudes materialistas, egoístas e relativistas dos adultos projetaram muitas sombras e trevas nos horizontes das novas gerações. Mas o coração do ser humano, sobretudo o do jovem, dificilmente se deixa abafar»
E acrescenta: “Os adultos e as instituições sociais, culturais e políticas, e também as religiosas, têm muito a rever na sua pedagogia, no seu testemunho e até mesmo pedir
desculpa às novas gerações pelo nosso desinteresse, para não dizer esquecimento ou negação, pela verdade, pela justiça, pela solidariedade, pelo bem comum, pelos valores
transcendentes e espirituais”
Também D. Manuel Felício, Bispo da Guarda na sua Homilia de ano novo, se mostrou convicto de que, “com a sua imaginação e criatividade”, os mais novos podem ajudar a sociedade portuguesa a “encontrar modelos novos de desenvolvimento para substituir aqueles que têm sido propostos e que já deram o que tinham a dar”.
A hierarquia da Igreja mostra-se assim, e cada vez mais, consciente de que tem que direcionar a sua ação de evangelização para os jovens, tem que mostrar que está com
eles e a seu lado, tem que lhes saber mostrar o rosto Jovem de Cristo, e que, como Cristo, também ela está disponível para receber de coração aberto os seus projetos, as suas sugestões, e disponível para viver e acompanhar os seus anseios e as suas dificuldades;
A Igreja e todos os seus agentes, devem saber aproveitar do passado, o conhecimento adquirido, os valores herdados, a experiência de vida, mas devem saber também olhar para o futuro, alargando os horizontes. Se não formos capazes de chegar aos lugares profundos dentro de nós, estamos destinados a viver influenciados pelos resíduos do passado (Limpa antes o interior do copo, para que o exterior também fique limpo – Mateus 23:26)
Este é o tipo de fé de que precisamos cada vez mais: confiar em Deus de tal maneira que em Seu nome ponhamos a mão no arado, pois o melhor plano para executar a obra de Deus, é realizá-la, confiando em Deus sem reservas.
Recordo as palavras do nosso Bispo D. António Marto na homilia da eucaristia de acção de graças do dia 31 de Dezembro em Fátima: “Sem o contributo pessoal de cada um, a
barca corre o risco de se afundar. Cada um deve fazer a sua parte para que a esperança vença o medo tanto a nível pessoal como coletivo.”
Os jovens estão, cada vez mais, a sofrer influências negativas, capazes de gerar sentimentos de medo, angústia e dúvidas, que podem até mesmo desviá-los de seus ideais de fé. Para encaminhar estes jovens, em direção às vitórias que Deus lhe reserva, será seguramente necessário ter muita fé e determinação.
“Escolhe o teu lugar no meio da floresta e todos os dias retira-te para lá. E reza apenas isto: ‘Senhor estou aqui à espera de nada’”.
Estamos perante uma juventude inquieta, insatisfeita, uma juventude informada e esclarecida, mas com um grande défice de amor.
O Dr. Daniel Sampaio, psiquiatra que acompanha jovens em risco no Hospital de Stª Maria, no livro “Lições do Abismo”, traduz este défice de amor sentido por muitos dos jovens que trata, ao reproduzir o relato escrito de um desses jovens em terapia depois de uma fuga de casa e tentativa de suicídio:
O jovem fala da família:
«…recordo diálogos de surdos, conversas à mesa com a televisão ligada. Eu ouvia tudo em silêncio, a desejar que um dia algum deles quisesse simplesmente saber como eu
estava por dentro, de que coisas mais gostava. Alguém se deteve um instante que fosse, no modo como me poderia sentir? Alguém se interrogou se não seria bom, uma
conversa comigo pela noite dentro?»
«…A morte é a minha vida, pai, nunca o compreendeste, nunca levaste a sério os meus problemas…tenho pena que não me tenhas ensinado o amor, papá. Nada sei de ti a não ser a imagem exterior, nunca te conheci por dentro.»
«…se um dia tiver um filho, juro que não passarei a vida a trabalhar para comprar uma casa maior e um carro melhor, vou perder noites ao pé dele sempre que o sentir em baixo, vou suportar o bater de portas e as más respostas, aprendi à minha custa que o silêncio é a pior coisa que pode suceder numa família».
Jesus ensinou que o que nós somos é determinado pelo que sentimos no nosso coração.
Ele falou em renascer, viver na fé e ter coração de criança; queria que fossemos como as crianças, porque as crianças são inocentes, confiantes e abertas às suas emoções «Em verdade vos digo: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no reino do Céu.»Mateus 18:1-6)
Estamos perante uma juventude que tem garra, que vê na evolução ciêntifica o futuro, evolução que a Igreja de hoje não só tem dificuldade em aceitar, como também para a qual não sabe apresentar alternativas.
“Ensina à criança o caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Provérbios 22.6).
Ensinar esse caminho é uma tarefa da qual não nos podemos demitir e da qual não podemos desistir, como Cristo também não desistiu de nós. Por isso não é fácil a tarefa
de mostrar aos jovens que com Cristo, estarão sempre à frente dos demais reconhecendo a importância da sua vida, ao invés de desperdiçá-la.
O comportamento instável, comum da idade, deve ser superado para que não se deixem influenciar pelos apelos do mundo.
Esse caminho que nos cabe a nós mostrar aos jovens, deve sobretudo ser um «caminho de esperança».
O livro do Pd. Prof. Doutor José Tolentino de Mendonça, recentemente nomeado Consultor do Conselho Pontifício da Cultura “Pai-Nosso Que Estais na Terra” dá-nos uma fantástica definição de esperança:
Miguel Ângelo antes de dar sequência às suas esculturas, olhava para a pedra em bruto e conseguia ver aquilo em que se podia tornar. Sem esperança, só veríamos a pedra, o
seu caráter tosco. É a esperança que faz ver para lá da dureza da pedra, as possibilidades ainda escondidas de se tornar numa grande obra de arte.
Há tantos jovens nas nossas comunidades sem esperança e que só conseguem descobrir o valor da vida quando confrontados com a morte, seja nos desportos violentos em que estão permanentemente em risco, na auto-mutilação, nas drogas e no suicídio.
Matar ou morrer pode converter-se num programa de vida para muitos.
Perante esta realidade, pais e educadores muitas das vezes não sabem como agir, ficam impotentes perante aquilo que não compreendem. Dizem que esta geração está louca e temem não conseguir ajudá-los.
E qual a missão da igreja e dos cristãos na ajuda a estes jovens?
A «sede de sensações» que muitos jovens saciam no perigo, no risco, é quase sempre resultado do «vazio afectivo».
Eles procuram uma resposta de amor, de esperança, e nós temos essa resposta em Cristo.
Então, porque não quebramos as amarras e nos lançamos nesta tão gratificante tarefa de evangelização, sem medo de arriscar, de coração aberto para ouvir e compreender, para
aceitar sem julgar, para erguer pontes em vez de muros?
Como conseguimos ficar alheios à realidade reproduzida na imprensa de que «Em Portugal centenas de jovens adolescentes cortam-se para substituir a dor física»?
Rapazes e raparigas utilizam x-actos, facas, pontas de cigarro, lâminas de barbear e canetas para se cortarem. As feridas são, para eles, uma espécie de sedativo para as
dores do coração, muito mais insuportáveis.
«Em Portugal há jovens que se automutilam. Muitos jovens. Que vivem num sofrimento psicológico tão intenso, que se ferem a si mesmos para trocar dores, as feridas cumprindo temporariamente a função de sedativos. Mas as feridas são também gritos que anunciam um sofrimento a pedir ajuda. Tentam comunicar. Ouvir e compreender são os passos-chave para a cura.»
É efectivamente difícil, acabar de ler estas notícias e ficar indiferente. Vivemos num mundo egoísta, do salve-se quem poder, onde ninguém tem tempo para nada: os pais não ouvem os filhos e os professores também não os escutam. Cada qual vive os seus problemas sem querer saber das angústias do vizinho do lado, mesmo que ele seja um familiar.
Quando nós cristãos, perdemos tempo a falar nos excessos dos jovens, a julgar os seus comportamentos e atitudes, nós que acreditamos, nós que temos fé, nós que cursilhistas tivemos um encontro tão intimo e pessoal com Cristo, nós que devemos ser e dar testemunho de verdadeiros e convictos cristãos, devíamos parar e pensar que talvez seja altura para falar da extrema solidão de uma geração que não sabe como irá chegar ao futuro» e procurar falar-lhes na linguagem do amor, que seguramente lhes tocará bem fundo, terá muito mais efeito do qualquer repreensão, castigo ou julgamento, lembrando-nos que quando Jesus decidiu procurar um grupo de discípulos para o seu círculo íntimo de amigos, não assumiu como primeiro critério a formação ou mesmo a inteligência: escolheu aqueles que conseguiam “compreender com o coração”.
Bento XVI encorajou os jovens a abandonar algumas pobrezas que os assolam, começando pela falta de amor. “É necessário –ressalta o Papa– que o crescimento das novas gerações seja alimentado não só por noções culturais e técnicas, mas sobretudo pelo amor, que supera o individualismo e o egoísmo, e permite prestar atenção às necessidades de todo o irmão e irmã.”
A igreja precisa da uma Santa Juventude para levar Deus até às escolas, onde o mundo apresenta falsos prazeres!
A igreja precisa de uma Santa Juventude para levar Deus até às discotecas, aos shoppings, e aonde TUDO é permitido, e mostrar que é possível servir a Deus sem deixar de se divertir!
A igreja precisa de uma Santa Juventude para levar Deus para o mundo, onde tudo parece estar perdido, e mostrar que onde existe vida há esperança!
" A Igreja só é jovem quando o jovem for Igreja", e o jovem só se sente Igreja se a Igreja tiver uma linguagem, desafio e vida jovem. Isto parece um nó sem pontas, mas há uma ponta por onde começar: é Jesus Jovem, foi Ele quem começou; por isso, tu que lês, tu que estás informado, tu que viveste a experiência de um Cursilho de Cristandade, não tens desculpa.
Tudo amadurece, como nos disse o Papa João Paulo II, “A juventude não é apenas um período de vida (…), mas uma qualidade de alma que se caracteriza precisamente por
um idealismo que se abre para o amanhã”. E, é isso que os jovens buscam, um amanhã sempre diferente, renovado, onde eles possam encontrar a certeza da vitória e isso, só se
pode ter em Deus.
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CONCLUSÃO
Jesus acreditava que o amor é a força mais poderosa do universo. Ele ensinou que Deus é amor e que o amor é a força criativa que suplanta todos os problemas do mundo. O amor
encontrava-se no cerne dos ensinamentos de Jesus, e é o elemento essencial para a cura do coração humano.
Por isso, nós que acreditamos em Jesus, acreditamos na força do amor, e é esse amor que devemos levar aos jovens. O método utilizado, é indiferente. Importante é passar a
mensagem, fazer com que esse amor penetre nos seus corações e aí permaneça para sempre.
Citando Augusto Cury, afinal, Jesus foi o maior comunicador do mundo, foi o maior educador do mundo, teve o maior plano do mundo, foi o maior empreendedor do mundo, viveu o maior amor do mundo e causou a maior revolução do mundo. O
resultado é que biliões de pessoas de todas as raças, culturas, religiões e condições sócio-economicas dizem segui-lo. E a parte do globo que diz não ser cristã, nutre profunda admiração por Ele.
Na carta apostólica “Porta Fidei” (Porta da Fé), do Papa Bento XVI, em que se proclama o Ano da Fé (Out 2012 a Out 2013), podemos ler: «Possa este Ano da Fé tornar cada vez
mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro»
Para tornar firme esta relação com Cristo Senhor, não o podemos fazer sem contar com os jovens, pois só com eles poderemos olhar o futuro vivendo uma SANTA JUVENTUDE,
sabendo amar, perdoar e prosseguir, ainda que seja pelo twitter, facebook, e tantas outras portas abertas para o futuro por onde estamos renitentes em entrar, enquanto
portadores da mensagem desse amor autêntico e duradouro que conhecemos em Cristo.
A Sua mão Amiga, é a ajuda com que podemos contar!
Escutá-lo na oração, é ouvir a voz que nos acalma!
O Seu Amor incondicional é seguramente o Caminho!
DECOLORES
Estrela Neiva -Núcleo Centro

1 comentários:

Zelia Costa disse...

Chamo-me Zelia Costa, sou de Guimarães fiz o meu cursilho em Março 2011 nº 375 e estive presente em Fátima.
Gostei imenso de assistir.
É pena que não tenhamos tido mais participações
Decolores