"Oração"
Senhor, porque sou apenas um pequeno pedaço da Tua Igreja e porque sou pouca coisa, peço-Te que me ilumines e faças forte, por intercessão de Eduardo Bonnín e pela Graça do Espírito Santo, para que as minha palavras nesta Proclamação se tornem eficazes e possam servir àqueles que me ouvem e que são aqueles que Tu queres que se façam fermento na massa.(Mt.13-33)
P.N. A.M. Nossa Senhora de Fátima (rogai por nós)
(Quero dedicar este Rolho a todos os Reitores que me ensinaram e me apoiaram na minha caminhada até hoje -- e entre eles, que foram tantos, distingo naturalmente a São e o Álvaro de Sousa, o saudoso Leonel Viana e, claro, o 1º Reitor de sempre, o Reitor de todos os Reitores, Eduardo Bonnín)
Começo por apresentar-me, pois provavelmente nem todos me conhecem:
Sou o Joaquim Guilherme, oriundo de Marinhais mas residente em Almada, casado com a Maria de Fátima (em Boa Hora a Baptizaram com este nome)
Sou o pai do Nuno, da Rita e da Carolina, e pelo casamento deles, sou também um pai para a Sofia, o César e o Plínio, e o avô da Beatriz, da Maria e da Mariana. Lá para o fim/princípio do ano, se Deus quiser, terei mais um neto.
O meu Cursilho foi o 71º de Setúbal e fiquei. ( Quem prova gosta. Quem gosta apaixona-se. Quando a paixão se transforma em amor, Quem ama fica.)
A descoberta de que o Carisma Fundacional deste MCC é um instrumento de realização pessoal, de vivência da Fé compartilhada e uma oportunidade constante de melhorar a minha vida espiritual e o mundo, motivou-me a perseverar e a dedicar-me a Cristo e aos irmãos. Tem sido uma experiência magnífica porque, como diz Jesus Valls “ocupo-me das coisas de Deus, depois que descobri que Ele se ocupa das minhas”.
Já levo quase 1/3 da minha vida comprometido com os Cursilhos desde que, descobri que os Cursilhos são um instrumento que provoca o encontro entre a Liberdade do Homem e o Amor a Deus.
Devo dizer-vos que é para mim uma grande alegria, uma honra e uma Graça estar aqui hoje convosco.
• Uma alegria, porque eu encaro sempre com alegria todo o trabalho para O Senhor e a
Sua Igreja;
• Uma honra, porque é um momento único de ser instrumento de Deus para os meus
irmãos e para o Movimento; e uma Graça, porque
• Estou aqui por uma Graça do Senhor, que assim o quis. Chamou-me!
Chamou-me um dia a um Cursilho, através da minha mulher que, sem saber do que se tratava, mas porque os seus pais tinham vivido a experiência deste Movimento magnífico, pensou que a melhor maneira de me fazer reaproximar era “empurrar-me”.
E ela nesse momento foi, com certeza, inspirada por Deus.
Ela foi, “O chamamento do Senhor”!
Hoje, estou aqui para vos falar do REITOR.
O Reitor no Cursilho, o R. Dirigente da Escola e o R. no Secretariado.
Parece que tudo começa com a indigitação para o cargo de Reitor de um Cursilho. E que tudo acaba ao fim do mesmo. Mas, como veremos, não é assim.
Antes de mais,
I - Quem é O Reitor?
Paulo VI, na I Ultreia Mundial de Roma, perguntou-nos:
“Quem sois vós ? e donde vindes ?”
Reparai, irmãos, que não perguntou O que sois, mas sim Quem sois, indicando portanto que o MCC é um organismo vivo.
Poderíamos responder: somos ...
Leigos na Igreja, que vivemos um Cursilho de Cristandade, onde nos encontrámos com Cristo, nos encontrámos connosco próprios e nos encontrámos com os irmãos,
tendo aí decidido transformarmo-nos em Homens Novos, vivemos o Fundamental Cristão, somos filhos de Deus, irmãos de Cristo e Templos vivos do Espírito Santo.
Vimos do nosso Grupo, da nossa Ultreia, somos Escola.
Pois... O Reitor é alguém. Alguém vivo, em cuja pessoa recai a escolha de ser O Coordenador que material e organizadamente vai dirigir os 3 dias de um Cursilho.
e,
O Reitor deve ser alguém com um dado perfil, determinadas virtudes e que esteja comprometido.
Em Maiorca, o Estatuto do Secretariado descreve que o Reitor deve:
Ter uma Fé manifesta;
Deve conhecer o Método dos Cursilhos;
Deve identificar-se pessoalmente com esse método; e
Deve aplicá-lo na sua vida com coerência.
Não se concebe que “ser Reitor”, seja apenas cumprir os requisitos exigidos por um perfil, mas Reitor, tal como qualquer Dirigente,ou se é na vida ou não se é. Não é um papel confinado a 3 dias.
O Reitor é um Dirigente. Com todas as qualidades naturais e sobrenaturais que se descrevem no rolho Dirigentes (tem um ideal elevado, conhece a realidade, é valente, disciplinado, simpático, generoso, para além de ter Fé, esperança, humildade e caridade).
Seremos assim, ou vamos ser assim. Ou doer-nos-á por não sermos assim.
Mas, claro, estas características não são uma norma que sujeite a possibilidade de ser Reitor. Antes é um critério.
Ser Reitor, não é uma meta, nem uma compensação ou uma promoção.
Ser Reitor é ser um colaborador, que está ao serviço,
comprometido com Deus e com os irmãos, que vai trabalhar em comunhão com uma equipa de sacerdotes e leigos.
Que reza
(Precisamos tanto de rezar... falar com Deus, pedir-lhe coisas, desabafar com Ele, pedir-Lhe perdão, agradecer-Lhe, sempre confiantes e perseverantes)
Que estuda
(Estudar sempre! Nos livros, nas publicações, nas homilias, nas palestras, nos sinais dos tempos – a sós, ou em comunhão. A sós ou em grupo. Com sacerdotes ou com leigos, com cristãos ou com ateus. Procurando a verdade mesmo nas coisas insignificantes. Com espírito aberto, tirando sempre o melhor do menos bom.)
Que actua
(Somos parte da vinha do Senhor, somos semente que tem que dar fruto. Sem exigências, mas antes em atitude de oferta – “Senhor, aqui estou! Serve-Te!”. Fomos chamados um dia, “para sermos as mãos de Cristo”.
II - Começa com a nomeação.
O Reitor é um Dirigente da Escola que é indigitado para ir ao Secretariado “receber a equipa”.
( Por princípio, deve ser um membro da Escola de Dirigentes – mal chamada de Responsáveis, já que responsáveis somos todos os baptizados.)
( Teoricamente, embora se admita a excepção em casos razoáveis, só os elementos da escola serão chamados)
Pergunto: receber a equipa, ou ajudar a nomear a equipa?
Na procura da missão de promover e servir o Movimento, para que este cumpra a sua finalidade, o Secretariado Diocesano, que tem mandato do Bispo da Diocese, tem a prerrogativa de designar a equipa de dirigentes de cada Cursilho, seleccionando aqueles que estão preparados espiritual, técnica e metodologicamente, e estão activos na Escola e na Ultreia.
No entanto, a prática mostra que nem sempre aqueles que estão no Secretariado conhecem plenamente toda a Escola, pelo que não é desaconselhável que o Reitor nomeado “ajude” na selecção da Equipa, tanto mais que ele irá ser o líder. E, o líder, não é o que manda.
(o que faz de líder sem o ser, acaba por mandar e dar ordens, o que impossibilita uma cristandade em acção)
O autêntico líder,
é capaz de tirar o melhor partido de cada um dos membros da equipa, segundo os seus dons, que deve conhecer, e de colocar ao seu alcance os instrumentos necessários, envolvendo-se pessoalmente e colocando-se ao serviço,
com o fim de conseguir o objectivo comum que é transmitir a Fé, sendo esta atitude de colocar-se à disposição dos outros o que lhe dá a autoridade.
Ser Líder,
é pôr-se ao serviço dos outros, é dar-se ao próximo.
O Reitor não é aquele que simplesmente cumpre o horário do Cursilho, mas antes, aquele que influi no clima do Curso e sabe conduzir as alterações de ritmo.
O Reitor não é um repetidor ao vivo, do Guia do Reitor, mas antes aquele que sabe interpretar esse Guia e o adapta a cada momento ao ritmo do Cursilho.
O Guia é a “letra” e o Reitor é a voz e a música dessa letra que, pelo ritmo do Espírito, vai fazendo acontecer em cada um, o encontro consigo mesmo, com Cristo e com os outros.
Como sabemos todos, o Reitor é um Leigo.
Mas por vezes perdemos a perspectiva do porquê.
É que, se por um lado para as Dioceses se define a forma e as pessoas para pôr em prática o MCC, estando este inserido na Diocese e sendo o Bispo, juntamente com o Director Espiritual e o Presidente da Escola os que pautam a organização do Secretariado e a formação e acção da Escola de Dirigentes, por outro lado,
é a iniciativa secular ou laical do Movimento quem interpreta a Essência e a Finalidade do MCC. Que não se fizeram para engrossar as estruturas intra-eclesiais, mas para que a Boa Nova chegue testemunhada e vivida a todos os ambientes, mediante um estilo autenticamente evangélico.
Sendo o MCC um movimento de Leigos, o papel do Sacerdote é um papel fundamental. Pela sua função, mas sobretudo pela força que tem o ser alguém que se entregou a Cristo. Sacerdote que, também no Cursilho, é tanta vez o Cristo que dá o abraço ao filho pródigo que volta para se reconciliar com o Pai.
Amigos e irmãos leigos!...
há que ajudar os sacerdotes para que sejam sacerdotes!
E que o sejam bem! Com eles, pelo seu testemunho, poderemos conseguir muita coisa para o Reino.
O Reitor tem de ser um possibilitador das qualidades, colaborando com os outros Dirigentes, dando-lhes a “pauta” sobre a disciplina do curso e procurando que todos se esmerem na ordem e na competência, na autenticidade e ocasião dos testemunhos, no trabalho de corredor, para além de ajudá-los a interiormente caírem de joelhos, em Corpo Místico.
Ser nomeado para um Cursilho é uma dádiva, é uma Graça, que nos traz alegria, mas também a responsabilidade de ser chamado.
A preparação Técnica ( que não tecnicista ) e Espiritual, começa. Tudo tem que ser enfrentado com muita Fé (humildade de reconhecer que só com ajuda do Espírito Santo tudo correrá bem); Com Bom Senso (estando sempre de acordo com o Senhor); e em atitude de Serviço (dando em cada momento o melhor de nós mesmos).
E eu acrescentaria: com algum Quixotismo do que é divino, ao serviço da expansão do Reino.
No sentido organizativo, todos sabem quais são os trabalhos do Reitor. E, na distribuição do Rolho deve-se tentar enquadrar cada um com a personalidade e o carácter do rolhista:
• Para o Ideal, importa clareza e simplicidade;
• No Leigo, a convicção;
• Na Piedade, a força da entrega do Rolhista;
• No Estudo/ Formação, mais a sua inteligência que a formação;
• Na Acção, o seu plano;
• No Dirigentes, o ter essas qualidades;
• No Estudo dos Ambientes, a capacidade de observação;
• No Comunidades/Cristandade em Acção, o sentido de equipa e de grupo;
• No Cursilhista mais Além, que o tenha integrado na sua normalidade; e,
• No Seguro Total/ Grupo e Ultreia, a experiência da eficácia comprovada.
III-É PARA O 4º DIA
É comum ouvir e até comentar que, o ser Reitor é uma tarefa temporária... pelo tempo do Cursilho: organiza as coisas, preocupa-se para que tudo saia bem nos 3 dias e depois, acaba.
Na realidade não é assim.
Esta afirmação só é verdadeira parcialmente.
De facto, o cargo é temporário. Mas, o encargo é para toda a vida.
É para o 4º Dia. O deles ( dos novos ) e o nosso.
O cargo, como já se viu anteriormente, é temporário. Começa com a nomeação para o Cursilho, inclui
• toda a Preparação, técnica e Espiritual ( com muita entrega, oração, sacrifícios / Intendência -- pugnando sempre para que a Equipa seja um Grupo, “que todos se façam de todos”, pela oração, pela entrega, pela amizade); inclui,
• O Cursilho, procurando que cada momento seja o que deve ser, que se diga o que se deve dizer, que se faça o que há a fazer, a fim de que produza os frutos e marque para sempre a vida dos que o vivem; e, porque nos importamos, o encargo é para toda a vida!
Porque nos importamos, comprometemo-nos a acompanhar e a proporcionar aos novos condições para a sua perseverança no 4º Dia nomeadamente:
a integração num Grupo que fomente a amizade nas suas Reuniões, onde cimente a sua fé e adquira formação convivendo com os demais irmãos;
a frequência da Ultreia, ajudando a caminhar e a desinibir-se, a compartilhar a sua vivência do fundamental cristão, a potenciar o compromisso de ir fermentando cristãmente os ambientes;
ajudando e providenciando a formação de comunidade;
indicando para a Escola quando se notam as qualidades mínimas;
ajudando na Escola, quer com partilha, quer com ensinamentos, pugnando pela contínua formação.
Não esqueçamos que muitos foram os que um dia passaram por um Cursilho de Cristandade.
Onde estão?
Apesar de que talvez não utilizem os meios específicos do Pós-Cursilho, acreditamos que a maioria leva uma vida autenticamente cristã.
O propósito do Pós-Cursilho, é a transformação do mundo por meio daqueles que vivem o Fundamental Cristão de um modo progressivo; o Movimento promove o método específico da perseverança e maturação na Fé.
Porque nos importamos, ...... caso do João Luís ( Padre ) e temos o Mário, aqui presente.
Deus seja Louvado!
Joaquim Guilherme
Vogal do SN
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