Caríssimos Irmãos em Cristo
O Santo Padre Bento XVI disse recentemente: "... A nossa tarefa continua a ser a mesma que na madrugada da nossa história. A missão não mudou, de modo que, não deve mudar o entusiasmo e o valor, que levou os apóstolos e os primeiros discípulos. E continuou lembrando-nos “que a fé não é um uniforme que se coloca e tira quando e como queremos”, mas sim, “algo vivo e que cobre tudo, capaz de receber tudo, que é bom na modernidade”.
Irmãos em Cristo
Como é do conhecimento de todos, o MCC nasce pela força do Espírito Santo nos anos 40 do século passado, para colmatar as dificuldades existentes de evangelização, principalmente em toda a Espanha.
Sabemos que essa força foi transmitida a Eduardo Bonnín e a um grupo de jovens Leigos de Palma de Maiorca, que com ele o difundiram pelos cinco cantos do mundo.
Sabemos que o espírito de formação de qualquer comunidade eclesial, está bem claro em (Act. 2,42-47), como comunidade modelo.
Sabemos que os Dirigentes Sacerdotes e Leigos no MCC, devem ser
capazes de encarnar este espírito de Comunidade eclesial, quando juntos em qualquer grupo do MCC, quer ele seja, “com quem queres ou com quem deves”.
Sabemos que a Escola do MCC, como Grupo na globalidade dos Cursilhistas que a frequentam voluntariamente, é o motor, o coração do Movimento. Que os seus líderes, são os braços do Movimento que se espalham pelos diversos grupos de Cristandade e de Ultreia. Que são estes líderes, a força viva de novas comunidades Cursilhistas e de evangelização ambiental, no mundo onde cada um está inserido.
Os Sacerdotes e Leigos empenhados nas tarefas de evangelização, através de grupos do MCC, quer sejam eles os do Secretariado, da Escola, da equipa Reitora Dirigente de um Cursilho ou de outra qualquer actividade do MCC, mesmo que este Grupo só tenha determinada finalidade específica e pouco duradoira, têm de em conjunto formar uma comunidade eclesial viva, como nos diz o Evangelho em ”(Jo.17,11) “onde todos sejam um, como eu e Tu , oh Pai, somos um”.
Neste Rolho apenas quero referir indicações gerais, para depois em clima de reunião de grupo de Cristandade hoje aqui, cada um descubra o que é necessário fazer em cada um dos grupos do MCC ou ambiental onde está inserido, para que a vivência da essência do fundamental cristão, atinja a finalidade do movimento, que é “a renovação da pessoa”.
Sabemos que o Sacerdote no MCC tem um duplo papel a desempenhar, “a missão que lhe é conferida pelo magistério da Igreja e o de evangelizar”, sendo a de evangelizar, comum aos Leigos e aos Sacerdotes, porque é algo que provem do Baptismo como nos é referido no Decreto sobre o Apostolado dos Leigos do Concílio Vaticano II.
Nas estruturas do MCC, os Sacerdotes e os Leigos em comunhão, devem ser capazes de não deixarem envelhecer o método do Movimento, para levar a mensagem de Cristo a crentes e aos não crentes, como nos dizia o Papa Paulo VI na I Ultreia mundial realizada em Roma em 27 de Maio de 1966 “vós Cursilhistas, guiados em sua acção pelo olhar de Cristo, devem refazer continuamente os ambientes temporais, conforme o plano e o desígnio de Deus”.
Irmãos em Cristo, “este olhar de Cristo, este desígnio de Deus”, está nas nossas mãos, se queremos eficazmente trabalhar na renovação dos ambientes do mundo e da Igreja, temos primeiro de nos renovar a nós, para podermos dar luz concreta e real à Nova Evangelização, como nos diz Eduardo Bonnín no Livro Aprendiz de Cristão (pág. 78), referindo-se ao estrato do documento de sua autoria, lido no V Encontro Mundial do MCC em 1997 realizado em Seul na Coreia, “os Cursilhos de Cristandade não foram pensados, estruturados e rezados para evangelizar o mundo, mas o homem”, …. “o Movimento não nasceu para dar uma resposta da Igreja ao mundo, mas como forma de comunicar ao homem, que Deus o ama”.
Pelas razões que acabo de referir, os Sacerdotes e Leigos unidos em grupos do MCC, devem colocar juntos a mão no arado e não acalentar mais responsabilidades de evangelização na conquista de homens para viverem a experiência de um Cursilhos de Cristandade a um que a outro, dentro do ambiente onde cada um está inserido.
O Pe. Francisco Suárez do Cabido de Palma de Maiorca diz no Livro Aprendiz de Cristão (pág. 178), sobre o Carisma Fundacional do Movimento que: “No presente como no futuro, para os Dirigentes e instituições internacionais, nacionais e diocesanas, o pensamento, a mentalidade e os escritos do Bispo Juan Hervás, de Dom Juan Capó e de Eduardo Bonnín, são a garantia da obrigada fidelidade ao carisma fundacional e à imutável essência e finalidade dos Cursilhos de Cristandade”.
Irmãos esta é, uma das muitas expressões vinculativas, para não utilizarmos a expressão, “que o MCC é um movimento de Leigos”
Sabemos sim, que foi impulsionado por Leigos e que a Igreja o acolheu e abençoou com as duas mãos, como é do nosso conhecimento e que a partir desse momento, a tarefa de conquistar para Cristo os homens afastados da Igreja, passou a ser igual para Sacerdotes e para os Leigos.
Sobre o Carisma Fundacional de um qualquer Movimento da Igreja, Sua Santidade o Papa João Paulo II disse:
"O fundador é o centro da vida de cada movimento, porque ele é o titular do carisma original e através do qual ele vive".
Toda a sua estrutura referida nos livros: “Ideias Fundamentais, Manual de Dirigentes, Vertebração de Ideias, Interrogações e Problemas do Movimento e outros”, torna as estruturas do MCC dependente directamente do Bispo Diocesano ou da Conferencia Episcopal do cada País, através da nomeação das Direcções Espirituais pela Hierarquias da Igreja correspondente, bem como a ratificação dos Leigos indigitados para as suas Direcções, quer elas sejam Diocesanas ou Nacional.
Estas diferentes nomeações, são o reconhecimento da Igreja na comunhão de responsabilidades e de tarefas entre os Sacerdotes e Leigos em cada um dos casos, como garante da essência e da finalidade do Carisma Fundacional do MCC, na diversidade dos dons e funções.
Sabemos que Eduardo Bonnín, não aceitou a redacção final de alguns números do Ideias fundamentais e dos Estatutos iniciais do OMCC, devido aos muitos desvios que foram feitos à sua revelia, “porque em muitos casos propõem umas ideias que não saciam a fome espiritual das pessoas, mas a ânsia de poder da parte de alguns” (Livro Aprediz de Cristão pág. 72-73) e na página 68 refere, que em alguns casos, clericaliza e normaliza o MCC, em vez de possibilitar o compromisso da vivência e difusão da fé, através dos Leigos e dos Sacerdotes inseridos no Movimento.
Irmãos em Cristo o Carisma fundacional do MCC pretende que, haja sempre uma verdadeira dicotomia entre Leigos e Sacerdotes, porque uns e outros, são povo de Deus em marcha.
Fomos Baptizados em Cristo e fazemos parte de uma sociedade perfeita, humana e sobrenatural da Igreja.
O Senhor chamou-nos a este carisma da Igreja, para incarnarmos toda a acção apostólica, na conquista de almas para Cristo.
No Pré-Cursilho, no Cursilho e no Pós-Cursilho, cada um à sua maneira, deve encontrar o meio eficaz de dar à Igreja, militantes e Dirigentes líderes, que vivendo um cristianismo autêntico, o testemunhem, difundam corajosamente, responsavelmente e conscientemente pela sociedade, a fim de a tornar cristã.
Ser Dirigente do MCC, é todo aquele Sacerdote ou Leigo que viveu a experiência de um Cursilho de Cristandade, como nos diz Eduardo Bonnín no livro “Aprendiz de Cristão” pág. 51.
Por isso Dirigente é todo o Cursilhista, que sente compromisso pela missão apostólica que o Senhor lhe confiou, quando recebeu o crucifixo no Cursilho e foi interpelado com a pergunta “Cristo Conta Contigo” e respondeu com toda a humildade e sinceridade “e eu, com a Sua Graça”.
E depois de ter recebido a Folha de Compromisso no Encerramento, testemunhar em voz alta, ser membro consciente e crescente do Corpo Místico de Cristo.
Será que este gesto de dignidade apostólica e de compromisso com Cristo, contínua a ser feito em todos os Encerramentos dos Cursilhos como está referido no Manual de Dirigentes do MCC de D. Juan Hervás?
Diz-nos Cristo em (Jo.15, 16), “não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu que vos escolhi, para irdes e dardes muito fruto”.
Sacerdotes e Leigos em comunhão no MCC foram escolhidos, para serem vértebras, no Pré Cursilho, no Cursilho e no Pós-Cursilho e colunas eficazes da Igreja de Cristo no acompanhamento dos novos Cursilhistas no 4º. dia.
Irmãos Sacerdotes e Leigos, fomos escolhidos por Deus para trabalharmos juntos, na edificação do Reino dos Céus, através do Carisma Fundacional do MCC, não podemos estar de costas voltadas, por coisitas, por empecilhos, por crocodilos que nos querem comer.
Há seres humanos, há almas que esperam o nosso entusiasmo, a nossa luz, a nossa doce inquietação de os conquistarmos, para irem encontrar-se com Cristo num Cursilho de Cristandade.
Toda a árvore tem o seu tempo para crescer e dar os seus frutos.
O MCC em Portugal já tem mais de 50 anos.
Mas sabemos e devemos estar conscientes, que nem tudo tem corrido bem. Há frutos que não vieram no tempo certo, que têm tamanho errado e por isso não têm sabor ou têm um sabor, que nada tem a ver com a sua origem.
Mas também temos consciência, que o ser humano é imperfeito e muitas vezes toma decisões, que parecem ser as mais correctas, embora mais tarde, chegue à conclusão que foi um disparate.
Sobre o MCC e a comunhão entre Sacerdotes e Leigos em cada Grupo, talvez nem sempre as coisas corram bem, embora na essência do MCC e na sua finalidade, todos estejam de acordo, mas quanto ao método nem sempre, embora aí, também haja coisas que são imutáveis para se garantir a fidelidade ao Carisma Fundacional.
Cito apenas quatro:
1. Cursilho de 3 dias
2. De homens ou de mulheres
3. Para todas as idades
4. Todos os graus culturais
O nº. 104 do IF. fala-nos do método e diz-nos algo que provavelmente todos estamos de acordo:
Método “é a disposição adequada e o emprego de certos meios, claramente conhecidos, para se atingir uma meta proposta, com a maior probabilidade de êxito, com a maior rapidez e com a maior perfeição”.
Direi eu interpretando o que está escrito, “só devemos ser escravos do método, desde que ele nos leve a facilitar o homem no encontro com Cristo, porque ele deve ser sempre um acto de amor, ao serviço dos outros, não como um fim, mas como um meio, devemos saber ler os sinais dos tempos e adaptar o método às novas tecnologias”.
Diz-nos Jesus Valles acerca dos jovens, no livro “Aprendiz de Cristão” (pág. 169), “um argumento chave, é que os Cursilhos têm de ser também, para não dizer sobretudo, um movimento de que os jovens façam parte. De jovens nasceram e para jovens se fizeram, num primeiro tempo”.
Eduardo Bonnín refere na pág. 147, "... Em Roma, faz muito tempo já, deram ordens para que os Cursilhos fossem unicamente para homens de uma determinada idade; eu protestei, mas como sempre, não me escutaram.
Agora os Cursilhos são ali uma coisa de velhos; mas isso acontece também na Inglaterra, na Argentina ou na Irlanda, nos lugares onde os Cursilhos chegaram através das Ideias Fundamentais do padre Cesário.
Excluíram-se os jovens, não há sangue novo e os Cursilhos não teriam futuro, se não soubéssemos que quem os aguenta é Jesus Cristo …” e continuando diz; “agora em Roma sente-se a falta de jovens e pouca fé por parte dos mais idosos, porque eles pensam que os Cursilhos foram uma coisa da juventude.
Mussolini dizia que, “a juventude é uma divina doença, da qual nos curamos um pouco todos os dias”.
Irmãos Sacerdotes e Leigos integrados nas estruturas de Grupos do MCC, devem colocar o seu saber e querer, ao serviço do Evangelho na fidelidade ao Carisma do Movimento, como nos diz S. Paulo em (1Cor.3, 4-9) “cada um deve estar consciente, que não podemos ser de Paulo, de Apolo ou de Ceifas, mas ministros de Cristo nos mistérios da fé proclamada e vivenciada”.
Jesus Cristo em (Jo. 15,5b) também nos diz; “Sem mim nada podeis fazer” e quantas vezes deixamos de fazer Pré-Cursilho às inúmeras Madalenas, para que vivam a experiência de um Cursilho, mudem de vida e ajudem outros e outras a fazerem o mesmo?
Falei neste caso como posso falar de um outro conhecido de todos, do Ardina que vendia Jornais do Partido Comunista, mas depois de viver a experiência do Cursilho, continuou a vender Jornais, mas levava também aos outros a Palavra do Evangelho.
O MCC precisa de líderes para levarem Cristo aos Homens sedentos de verdade e nós, seus Dirigentes nos vários grupos do MCC, temos de estar em sintonia, para que a vida do grupo dê frutos, embora sabendo conscientemente, que cada grupo tem o seu tempo para crescer, preparar-se e dar frutos.
A Igreja, o MCC e o mundo actual, continuam a precisar de Líderes Cursilhistas Leigos e Sacerdotes, que sejam dóceis anunciadores da mensagem do Evangelho como foram os apóstolos, percebendo que todo o seu empenhamento concreto na evangelização dos ambientes, é uma exigência do próprio Baptismo.
A mensagem “sem mim nada podeis fazer” é para Sacerdotes e para Leigos trabalharem em conjunto, para serem amigos e não escravos, para serem livres e não prisioneiros, para darem frutos e não serem estéreis.
O individualismo leva-nos à conhecida história da bonita macieira, que a todos encantava, com os seus rebentos, as suas flores maravilhosas e os seus perfumes muito suaves. Mas no tempo da maturação, não havia um só fruto para colher.
Irmãos em Cristo, temos de ter consciência que os Sacerdotes e Leigos do MCC, foram escolhidos por Cristo, para que juntos possam dar muitos frutos através de um estratégia coerente de critérios evangélicos capaz de vertebrar cristandade nos ambientes, para que essas vértebras passem a ser fermento na massa das estruturas ambientais a evangelizar.
Para terminar este Rolho, quero dizer-vos com toda a humildade e clareza, a Comissão Permanente do Secretariado Nacional contínua sem Director Espiritual nomeado, no entanto, sentimos o apoio que nos vem da Comissão Episcopal do Laicado e Família aqui representada por Sua Excelência Reverendíssima D. Serafim Ferreira e Silva e de todos vós Sacerdotes e Leigos Dirigentes do MCC.
Mas apesar deste apoio, queria pedir aos Presidentes dos Secretariados e aos Directores Espirituais, que façam um esforço, para participem nas reuniões de Núcleo e no Plenário Nacional do MCC.
Conscientemente também peço, aos Presidentes e Directores Espirituais dos Secretariados Coordenadores de Núcleo, para que façam um esforço e participem nas reuniões do Secretariado Nacional.
Se isso vier a acontecer no futuro, parte dos problemas que dizem respeito à Direcção Espiritual Nacional fica resolvida, porque o papel orientador e executivo da Comissão Permanente, fica aglutinado na comunhão do Grupo de Dirigentes e de Sacerdotes reunidos em nome do Senhor, na dimensão pessoal e espiritual nas decisões que são tomadas.
Em Janeiro de 2012, faz dez anos que se realizou em Portugal o 1º. Congresso Nacional do MCC.
Para quem o viveu e esteve por dentro dos trabalhos que envolveu os mais de 1.700 congressistas e os cerca de 30.000 Cursilhistas que participaram na Eucaristia de encerramento no Santuário da Cova da Iria, não esquecem mais esta data marcante na vida do Movimento em Portugal e que está relatada no caderno de “Actas do 1º. Congresso”.
Em Janeiro de 2012, vamos lembrar esta data com o Encontro Nacional de Escolas durante dois dias ao Sábado e Domingo com programa anunciar oportunamente, mas esperamos que as inscrições sejam feitas atempadamente, para sabermos onde vamos realizar este evento comemorativo dos 10 anos do 1º. Congresso.
Irmãos em Cristo, vamos estar presentes e em grande número, vamos ser generosos para com o Senhor e com o Movimento.
Cristo conta com cada um de nós.
De Colores.
Jaime Custódio
Presidente do SN
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